A FDA voltou atrás e manteve a proibição do uso do ácido folínico para o tratamento do autismo, contrariando o anúncio feito pela administração Trump cinco meses antes. A agência reguladora justificou a decisão pela falta de dados científicos suficientes, atendendo aos apelos da comunidade médica que alertava sobre o risco de criar falsas esperanças. No entanto, o tratamento continua aprovado para outras condições, como a deficiência cerebral de folatos e para combater efeitos colaterais da quimioterapia.
Principais tópicos abordados:
1. A reversão da FDA sobre a autorização do ácido folínico para o autismo.
2. A controvérsia política e científica em torno do anúncio inicial do governo Trump.
3. As críticas da comunidade médica à aprovação prematura de um tratamento não comprovado.
4. As indicações médicas aprovadas para o uso do ácido folínico.
Cinco meses depois de o governo de Donald Trump anunciar com grande destaque a autorização de um tratamento não comprovado contra certas formas de autismo, a agência reguladora de medicamentos dos Estados Unidos (FDA) voltou atrás nesta terça-feira (10).
A prescrição de ácido folÃnico (leucovorina) continua sem aprovação para certas formas de autismo, um transtorno complexo do neurodesenvolvimento de amplo espectro, ao contrário do que havia anunciado a administração Trump.
A FDA informou, no entanto, que o tratamento, até agora autorizado para prevenir certos efeitos colaterais da quimioterapia, também poderá ser usado para tratar pessoas com uma rara sÃndrome genética chamada deficiência cerebral de folatos.
Trump havia dito em setembro que o ácido folÃnico dava "esperança a muitos pais de crianças autistas quanto à possibilidade de melhorar sua vida". A declaração foi feita durante uma entrevista a jornalistas na Casa Branca em que ele apresentou diversas afirmações controversas sobre o autismo.
A comunidade médica e cientÃfica americana havia condenado energicamente o questionamento de Trump sobre o paracetamol e as vacinas e criticado a aprovação anunciada do ácido folÃnico por considerá-la prematura demais.
Embora alguns estudos realizados com um número muito reduzido de pacientes tenham sugerido que o uso de ácido folÃnico poderia ajudar a reduzir certas dificuldades de comunicação ou de interação relacionadas ao autismo, essa linha de pesquisa ainda requer muitos estudos.
Sua autorização neste estágio corria, portanto, o risco de "criar falsas esperanças", advertiram dezenas de especialistas em autismo em uma carta conjunta.
Apesar da intenção de Trump de aprovar o tratamento, a FDA voltou atrás por falta de "dados suficientes", reconheceu um responsável da agência à emissora NBC News.
Algumas pessoas autistas poderão, no entanto, tomar ácido folÃnico se tiverem deficiência cerebral de folatos ou se seu médico prescrever o tratamento fora das indicações aprovadas.