Resumo objetivo: A prefeitura de São Paulo rescindiu unilateralmente, um dia após sua assinatura, um contrato de R$ 1,9 milhão com a Fipe para análise dos projetos de um teleférico na Brasilândia e de um VLT no centro. A gestão municipal justificou que preferiu avançar primeiro com estudos internos antes de contratar um verificador independente. Os projetos constam do Plano de Metas do prefeito Ricardo Nunes.
Principais tópicos abordados:
1. A rescisão do contrato com a Fipe para estudos de viabilidade.
2. Os projetos de mobilidade urbana envolvidos: teleférico (Brasilândia) e VLT (centro).
3. A justificativa da prefeitura para priorizar estudos internos.
4. O contexto político e técnico dos projetos, incluindo polêmicas e exemplos nacionais/internacionais.
Um dia depois de firmar contrato de R$ 1,9 milhão com a Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) para analisar projetos de implantação de teleférico na Brasilândia, na zona norte, e VLT (veÃculo leve sobre trilhos) no centro, a prefeitura resindiu a contratação.
Os dois projetos estão previstos no Plano de Metas da gestão Ricardo Nunes (MDB).
A rescisão unilateral do contrato está em uma publicação extra feita na noite desta sexta-feira (10) no Diário Oficial do MunicÃpio. Ela é assinada por Celso Jorge Caldeira, secretário Municipal de Mobilidade Urbana e Transportes.
Sem explicar detalhes, em nota a prefeitura disse que decidiu avançar nos estudos internos para implantação do Bonde São Paulo, como é chamado o VLT do centro, e do sistema de teleférico na Brasilândia, "antes da contratação de um verificador independente".
O contrato foi firmado na segunda-feira (9), com prazo de 14 meses. Do total de R$ 1,9 milhão, R$ 700 mil seriam para o teleférico.
O estudo para a implantação do teleférico causou polêmica no ano passado, em parte por crÃticas anteriores da gestão Nunes ao então candidato Pablo Marçal (na época no PRTB, hoje no União), que defendeu um sistema de teleféricos nas eleições municipais de 2024.
à época, o prefeito respondeu a jornalistas, contudo, que se trata de uma situação "especÃfica", ligada ao relevo da Brasilândia, em que moradores precisam se locomover por vielas e escadões.
à tarde, antes da rescisão, a prefeitura afirmou que o projeto está em "fase preliminar de estudos técnicos". "O objetivo é avaliar possÃveis alternativas de mobilidade urbana sustentável para a região, sem que haja, até o momento, decisão administrativa sobre sua implantação", disse.
A nota também aponta que a atual etapa analisa "caracterÃsticas como a topografia da região, a demanda potencial de deslocamentos e possÃveis formas de integração com o sistema de transporte existente". Além disso, respondeu que os recursos para programas de ampliação e manutenção do sistema cicloviário seguem mantidos, sem alterações.
Ambas as propostas são voltadas ao transporte coletivo de passageiros. A Fipe seria responsável por estimar custos de implantação e operação, dimensionar possÃveis financiamentos e subsÃdios necessários e analisar modelagens de contrato, como por meio de concessão pública ou Parceria Público-Privada (PPP). A avaliação inclui, ainda, tarifas, demanda de passageiros, receitas e cronograma.
No estudo técnico preliminar, a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte justifica que o projeto do teleférico busca "atender à s diretrizes de diversificação dos modais de transporte e promoção da mobilidade sustentável previstas no Plano Diretor (...), especialmente em áreas com topografia acidentada ou de difÃcil acesso".
A secretaria também argumenta, no estudo, que o teleférico traria "acessibilidade pela previsão de novas conexões e transposições". Já o veÃculo leve é defendido como uma alternativa sustentável e de "requalificação urbana" do centro.
A implantação de teleférico também está nos planos da Prefeitura de Salvador, no Planejamento Estratégico da gestão Bruno Reis (União Brasil). O projeto contempla 4,3 quilômetros de extensão, com quatro estações, três anos de obra e 23 mil passageiros por dia.
No fim de fevereiro, o municÃpio se reuniu com o Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe (CAF) para debater um estudo sobre modelos de negócios. O custo estimado é de R$ 520 milhões.
O uso desse meio como transporte ganhou repercussão no continente há cerca de 20 anos. Os principais casos são de La Paz, na BolÃvia, e MedellÃn, na Colômbia.
Na última década, contudo, problemas na experiência no Rio de Janeiro trouxeram questionamentos, contudo. O serviço chegou a ser interrompido por anos na Providência e, neste ano, deve voltar no Complexo do Alemão.
Para São Paulo, a prefeitura chegou a estimar um custo de R$ 1 bilhão, para trajeto de 4,5 quilômetros. O caminho ligaria o entorno do CEU (Centro Educacional Unificado) Paz, na parte mais alta, e as proximidades da futura Estação Brasilândia, da linha 6-laranja.
Estudo inicial veiculado em 2025 estimava até 3.210 passageiros por hora, em cada sentido. A velocidade seria de 18 km/h, com cabines para 10 pessoas.
Segundo o Plano de Metas, o VLE do centro deve atender mais de 130 mil pessoas por dia, com duas linhas e cerca de 12 quilômetros de extensão. O objetivo é iniciar as obras ainda na gestão Nunes.