A Uninove expulsou um estudante acusado de filmar alunas dormindo e expor seus genitais a elas, vendendo posteriormente o material em grupos do Telegram. A universidade abriu sindicância, afastou o suspeito e acionou a Polícia Civil, que investiga o caso sob segredo de Justiça. As condutas podem se enquadrar em crimes como registro não autorizado da intimidade sexual, divulgação de cena de nudez sem consentimento e ato obsceno.
Principais tópicos abordados:
1. A expulsão do estudante e a descrição do ato (filmagem e exposição indecente).
2. A comercialização do material íntimo em plataformas online (Telegram).
3. As ações institucionais e policiais em andamento.
4. O impacto e o medo gerado entre as estudantes.
5. A análise jurídica das possíveis tipificações criminais do caso.
A Uninove (Universidade Nove de Julho) expulsou um estudante acusado de filmar alunas enquanto elas dormiam na sala para descanso em um de seus campi, em São Paulo. Nas imagens, ele aparece expondo o pênis na direção delas. O material teria sido posteriormente vendido em grupos no Telegram.
O caso ocorreu no inÃcio do mês passado. A instituição abriu uma apuração após receber denúncias de vÃtimas cujas imagens teriam sido expostas. Ao fim da sindicância, houve o afastamento do suspeito, além do acionamento da PolÃcia Civil para seguir com as diligências.
O inquérito corre em segredo de Justiça, informou a corporação à reportagem.
Em nota, a universidade diz que ao tomar conhecimento dos fatos, ocorridos há mais de um mês, adotou imediatamente todas as medidas no âmbito institucional, bem como encaminhou o caso para apuração das autoridades.
"Reiteramos que a Universidade Nove de Julho repudia qualquer conduta que viole a dignidade, a privacidade e o respeito às pessoas e permanece à disposição para colaborar com o esclarecimento dos fatos", diz a instituição, uma das maiores do estado.
Segundo a denúncia, todo o material produzido pelo então estudante teria sido comercializado em grupos no Telegram. Numa das mensagens recolhidas, ele compartilhou um pacote de fotos com as hashtags #sleep (dormir, em inglês) e #dickflash (termo que significaria algo como "expor o pênis em local público").
Nas imagens, é possÃvel ver uma aluna de costas, aparentemente adormecida, e o homem apontando seu pênis para ela. Na descrição do anúncio num grupo, ele oferecia acesso VIP à s imagens caso fosse depositada certa quantia.
A história se espalhou rapidamente em grupos de WhatsApp da própria Uninove e de outras instituições de ensino superior em São Paulo. O rosto do autor dos vÃdeos também foi exposto.
Desde o ocorrido, estudantes dizem ter receio de utilizar o espaço para descanso na universidade.
No campo criminal, a conduta atribuÃda ao estudante pode se enquadrar em diferentes tipos previstos no Código Penal, a depender do que for confirmado pela investigação.
A gravação de imagens de cunho Ãntimo sem consentimento pode caracterizar o crime de registro não autorizado da intimidade sexual, com pena de detenção de seis meses a um ano e multa. Caso se comprove que o material foi posteriormente compartilhado ou comercializado em grupos na internet, o caso pode ainda ser enquadrado como divulgação de cena de nudez ou sexo sem consentimento, cuja pena prevista é de reclusão de um a cinco anos.
A exposição do pênis diante das estudantes também pode configurar ato obsceno ou, dependendo da interpretação das autoridades, importunação sexual, crime com pena de um a cinco anos de reclusão. A tipificação final dependerá da apuração policial e da análise do Ministério Público.