Resumo objetivo:
Instituições acadêmicas de excelência no Brasil, como USP, Unicamp e Unesp, estão criando protocolos para regular o uso da inteligência artificial (IA), exigindo transparência e declarando limites — como proibir a submissão de trabalhos totalmente gerados por IA. Paralelamente, pesquisas revelam que o uso da tecnologia já é massivo entre estudantes, mas a orientação sobre seu uso é insuficiente, motivando discussões sobre a inclusão do tema na formação de professores e na educação básica.
Principais tópicos abordados:
1. Regulamentação acadêmica da IA: criação de diretrizes pelas universidades para uso ético e transparente.
2. Uso real da IA na educação: alta adoção por alunos e falta de capacitação de docentes.
3. Iniciativas de formação: propostas para incluir o ensino de IA na formação de professores e no currículo escolar.
Dado o impacto da inteligência artificial (IA) na produção textual e de conhecimento, o setor acadêmico no Brasil e no mundo se mobiliza no sentido de estabelecer regras para a tecnologia.
Aqui, USP, Unicamp e Unesp estão criando protocolos e diretrizes, além de estruturar departamentos para coordenar pesquisas, desenvolver ferramentas e promover a formação de professores, alunos e funcionários.
No geral, a orientação é a de que o uso da IA deve ser combinado entre docentes e discentes e explicitado em pesquisas e trabalhos acadêmicos de forma detalhada, indicando não só modelos e versões mas também a interação com a ferramenta por meio dos prompts (comandos para execução de tarefas).
O guia da Unesp, por exemplo, deixa claro o que estudantes e professores podem e não podem fazer. No primeiro quesito, é permitido que a IA auxilie em atividades como tradução, revisão gramatical, elaboração de resumos e criação de roteiros e imagens. Fica proibido submeter trabalhos gerados por IA e simular resultados experimentais sem indicar o uso da tecnologia.
Considerando que são instituições de excelência do ensino superior brasileiro, suas regras tendem a ser reproduzidas em outras universidades, na educação básica e até em outros setores.
Escolas já precisam lidar com a disseminação da IA. A pesquisa TIC Educação de 2025, realizada pelo centro de estudos do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), mostra que 70% dos alunos do ensino médio usam IA para fazer trabalhos, e só 32% relatam que receberam orientação sobre essa tecnologia.
Ademais, não mais de 54% dos professores tiveram formação continuada para capacitar os estudantes no uso de ferramentas digitais. O Conselho Nacional de Educação (CNE), órgão responsável por definir diretrizes curriculares nacionais para formações superiores, discute uma resolução que prevê incluir o ensino de inteligência artificial em cursos de pedagogia e licenciaturas.
No PiauÃ, uma iniciativa pioneira instituiu, em 2024, a disciplina obrigatória de IA, que combina fundamentos técnicos e reflexões éticas, no 9º ano do ensino fundamental e no ensino médio. O programa foi premiado pela Unesco.
A IA tem enorme potencial educativo e na produção de conhecimento, mas também envolve riscos. O que pesquisas e organismos internacionais indicam é que a formação para o uso consciente, ético e transparente é a melhor forma de desbravar as trilhas abertas pela ferramenta.