Resumo objetivo:
A gestão de Fernando Haddad no Ministério da Fazenda é avaliada positivamente, destacando-se a manutenção da estabilidade econômica com controle da inflação, crescimento do PIB e baixo desemprego. Apesar de enfrentar pressões internas por mais gastos e o estilo "rompedor" do presidente Lula, que elevou o déficit e a dívida pública, Haddad atuou como um anteparo fiscal. Seu ministério também foi marcado pela aprovação da reforma tributária e pela ausência de escândalos, embora os juros altos permaneçam um desafio devido à leniência fiscal.
Principais tópicos abordados:
1. Avaliação positiva do desempenho macroeconômico durante a gestão (inflação, PIB, emprego).
2. Conflito entre a postura fiscal mais contida de Haddad e as pressões por gastos dentro do governo e do PT.
3. Conquistas institucionais, como a reforma tributária e a nomeação técnica para o Banco Central.
4. Críticas ao aumento do déficit e da dívida pública, atribuídos à "lassidão" do presidente Lula.
5. Destaque para a conduta republicana e isenção de escândalos da equipe do ministro.
A passagem de Fernando Haddad pelo Ministério da Fazenda mostrou-se benéfica para o paÃs diante das alternativas. Ele era o petista mais apto a conduzir a pasta com o menor risco de pôr a perder conquistas da sociedade, como a estabilidade da moeda.
Assim foi. A sabotagem interna que sofreu logo no inÃcio, capitaneada pelos arautos da gastança Rui Costa (Casa Civil) e Gleisi Hoffmann (então presidente do partido), por si só valeria a Haddad um selo de razoabilidade.
Não que o agora quase ex-ministro da Fazenda acreditasse no valor central do equilÃbrio orçamentário e do livre mercado para o desenvolvimento econômico, mas compreendeu depressa as responsabilidades que o cargo lhe impingia e os desastres, para a sua reputação e para o governo, de uma nova aventura irresponsável como a de Dilma Rousseff.
Colocou-se como anteparo ao estilo rompedor do presidente, que lhe impôs derrotas e derrubou parte de sua intenção de promover um mÃnimo de contenção de despesas obrigatórias. A lassidão de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terá sido decisiva para catapultar a dÃvida federal para perto de 85% do PIB no fim do ano.
Na Fazenda, um time técnico facilitou a conclusão da longamente ansiada reforma tributária. Da equipe de Haddad também saiu Gabriel GalÃpolo, que na presidência do Banco Central jamais fez concessão à s esquisitices da ideologia econômica petista e assim propiciou o controle inflacionário, ao custo de juros elevadÃssimos mas necessários.
Não há notÃcia de envolvimento do ministro nem de seus assessores diretos com malfeitos, lobismos e conflitos de interesse que infelizmente grassam no noticiário de BrasÃlia e se aproximam até da corte mais alta. Haddad tem sustentado posicionamentos republicanos sobre o tentacular escândalo do Banco Master.
A inflação média de 4,6% nos três primeiros anos soma-se ao baixo desemprego (5,4% em janeiro) e ao bom desempenho do PIB (3% ao ano no triênio) para compor um conjunto favorável ao ministro que deixará o cargo sob pressão de Lula e do PT para sacrificar-se mais uma vez na disputa do governo paulista.
Decerto a sorte ajudou. As trampolinagens de Donald Trump nos Estados Unidos promoveram uma fuga do dólar, o que valorizou o real e favoreceu a estabilidade dos preços no Brasil e os recordes sucessivos na Bolsa. Resta saber se a aventura do americano no Irã porá a perder uma parte desse benefÃcio.
Como ocorre amiúde na economia, o que se planta hoje, de bom e de ruim, frutificará depois. A leniência com o déficit e a dÃvida tem mantido os juros altos por tempo prolongado âuma esfera de chumbo no pé do setor privadoâ e tende a inviabilizar o Orçamento nos próximos anos.
Que Haddad logre convencer seu chefe, caso Lula se eleja para um quarto mandato, da necessidade de reduzir gastos para tirar o paÃs da rota da debacle fiscal.