Resumo objetivo:
Milhares de iranianos manifestaram-se em Teerã em apoio à nomeação de Mojtaba Khamenei como novo Líder Supremo do Irã, sucedendo seu pai. No entanto, um especialista entrevistado argumenta que o regime conta com apoio minoritário e mantém sua estabilidade principalmente através da repressão brutal à sociedade civil, que em grande parte se opõe ao governo.
Principais tópicos abordados:
1. A nomeação e a posse de Mojtaba Khamenei como novo Líder Supremo.
2. A manifestação pública de apoio à nova liderança.
3. A análise crítica de um especialista, que contesta o apoio popular ao regime e destaca a repressão como base de sua estabilidade.
4. As divisões e falta de consenso em torno da nomeação dentro do próprio establishment iraniano.
5. O contexto de tensão internacional, com ameaças de Israel e dos EUA ao novo líder.
Milhares de iranianos se manifestaram em Teerã nesta segunda-feira (9) em apoio ao novo lÃder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei. Figura discreta, porém altamente influente na República Islâmica, ele sucede ao pai, o aiatolá Ali Khamenei. Para o especialista Farhad Khosrokhavar, entrevistado pela RFI, no entanto, o regime conta com apoio minoritário da população iraniana e mantém sua estabilidade graças à repressão brutal da sociedade civil.
Apesar do risco de bombardeios israelenses e americanos, aposentados, religiosos de turbante, mulheres, em sua maioria usando chador preto, e até crianças lotaram a praça Enghelab na capital iraniana, para marchar ao som de música religiosa.
Mojtaba Khamenei, 56, considerado próximo dos conservadores por seus laços com a Guarda Revolucionária do Irã, o exército ideológico do paÃs, foi escolhido por uma Assembleia formada por 88 clérigos xiitas. A nomeação foi anunciada na noite de domingo, em uma declaração lida solenemente na televisão estatal.
Para o professor emérito da Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais da França e especialista no regime iraniano, Farhad Khosrokhavar, apesar das manifestações, Mojtaba Khamenei não contará com amplo apoio popular.
"Na realidade, o regime, na melhor das hipóteses, controla de 5% a 10% da população. Dentro dessa minoria extremamente pequena, talvez haja um ou dois por cento diretamente alimentados, financiados e privilegiados pelo regime, que podem ser mobilizados a qualquer momento. Sempre que há necessidade de ir às ruas, eles vão", afirma.
O professor acrescenta que a oposição dificilmente se manifestará, tanto por medo de bombardeios israelenses e americanos quanto pela repressão interna.
"Houve um movimento muito significativo no inÃcio de janeiro de 2026. Havia dezenas de milhares de pessoas nas ruas, que foram brutalmente reprimidas pelo regime. Então, a priori, não ouviremos crÃticas públicas a essa decisão", diz ele, referindo-se à escolha de Mojtaba.
Sem apoio do regime
Segundo o especialista, o novo lÃder supremo também não conta com apoio unânime dentro do próprio regime. "Provavelmente haverá algum tipo de acerto de contas, já que ele não tem consenso. Além disso, duvido muito que tenha havido uma eleição genuÃna pela assembleia de clérigos. Dada a situação, não vejo como poderiam ter se reunido e emitido suas opiniões. Acredito que ele foi eleito sob pressão do exército da Guarda Revolucionária."
Outro ponto, destaca Khosrokhavar, é que Mojtaba não é um aiatolá, mas um hojatoleslam, um religioso de posição intermediária. "Também nesse aspecto deve haver reclamações por parte das escolas religiosas, pois o lÃder supremo deveria ser alguém com conhecimento religioso universalmente reconhecido entre seus pares, o que claramente não é o caso", afirma.
"Dito isso, é preciso enfatizar que o regime tenta mostrar estabilidade. O que não é totalmente falso, mas essa estabilidade se baseia na repressão brutal da sociedade civil iraniana", continua. "A sociedade iraniana, em sua grande maioria, é de fato contrária ao regime. Houve dezenas de milhares de mortes em janeiro, e ainda mais durante outros protestos, o que evidencia a dimensão da oposição."
O contexto permanece explosivo. Israel afirmou, na semana passada, que o novo lÃder supremo ânomeado para um cargo vitalÃcio e que detém a palavra final sobre as principais polÃticas do paÃsâ seria "um alvo". O presidente americano também alertou que não aceitará Mojtaba como sucessor do pai. Donald Trump afirmou, no domingo, que o novo lÃder "não durará muito" sem sua aprovação, mesmo antes do nome de Mojtaba ter sido divulgado.