Resumo objetivo:
Uma operação do Ministério Público do Rio de Janeiro prendeu 16 pessoas, incluindo policiais militares, penais e civis (ativos e da reserva), suspeitos de integrar um esquema de segurança para o bicheiro Rogério de Andrade, facilitando o jogo do bicho na zona oeste da capital. Os agentes são acusados de usar sua influência em órgãos de segurança para proteger pontos ilegais de apostas em troca de vantagens financeiras, respondendo por crimes como organização criminosa armada e corrupção. As corporações policiais envolvidas afirmaram que não toleram desvios de conduta e que abrirão processos disciplinares internos contra os presos.
Principais tópicos abordados:
1. A operação policial e as prisões de agentes públicos ligados a um esquema de proteção ao jogo do bicho.
2. As acusações de corrupção e vínculo com o crime organizado.
3. A reação institucional das secretarias de segurança, promovendo apurações internas.
4. O contexto histórico da figura de Rogério de Andrade na contravenção carioca.
Uma operação do Ministério Público do Rio de Janeiro prendeu nesta terça-feira (10) agentes da segurança pública suspeitos de integrar o chamado "núcleo de segurança" do bicheiro Rogério de Andrade, apontado como um dos principais nomes da contravenção no estado.
Ao todo, foram cumpridos 16 mandados de prisão preventiva. Quinze deles tiveram como alvo policiais militares e penais, da ativa e da reserva, suspeitos de atuar na proteção das atividades do jogo do bicho na zona oeste da capital. O outro mandado foi executado contra Andrade, que já está preso desde 2024 em um presÃdio federal.
A reportagem entrou em contato por WhatsApp na noite desta terça com o advogado Raphael Mattos, que representa o contraventor, mas não obteve retorno. Em outras ocasiões, a defesa negou que ele tivesse ligação com crimes.
O Ministério Público não divulgou os nomes dos policiais investigados. Por causa disso, não foi possÃvel localizar suas defesas.
A ação foi realizada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do Ministério Público, com apoio das corregedorias da PolÃcia Militar, da PolÃcia Civil e da Secretaria de Administração Penitenciária.
Procurada, a Secretaria de PolÃcia Militar afirmou que "não compactua com desvios de conduta" e que os agentes presos serão submetidos a processos administrativos disciplinares para avaliar se permanecem ou não na corporação. Segundo a pasta, os policiais foram levados para a unidade prisional da PM em Niterói, na região metropolitana.
A PolÃcia Civil afirmou que também "não compactua com nenhum tipo de desvio de conduta e atividade ilÃcita" e reiterou o compromisso de combate ao crime. A corporação afirmou também que a corregedoria participou da operação e que um policial civil aposentado investigado não foi localizado e é considerado foragido da Justiça. Contra ele foi instaurado processo administrativo disciplinar.
A Secretaria de Administração Penitenciária disse que sua corregedoria acompanhou a ação e que o policial penal alvo da operação está inativo e não foi encontrado. A pasta afirmou que abrirá uma sindicância interna para apurar o caso.
Segundo a investigação, os agentes integravam um esquema responsável por garantir a segurança de pontos de exploração ilegal de jogos de azar na região de Bangu. De acordo com os promotores, o grupo utilizava a estrutura e a influência nos órgãos de segurança para assegurar o funcionamento das atividades do bicho mediante pagamento de vantagens indevidas.
Entre os denunciados estão policiais militares e penais, além de um policial civil aposentado que, segundo o Gaeco, teria sido cooptado pela organização criminosa ainda quando estava em atividade. Eles vão responder por organização criminosa armada e corrupção ativa e passiva.
Os mandados foram cumpridos em endereços no Rio de Janeiro e em cidades da Baixada Fluminense, como Belford Roxo, Duque de Caxias, Nilópolis e São João de Meriti, além de Mangaratiba, na Costa Verde. Rogério de Andrade cumpre pena na Penitenciária Federal de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul.
A investigação ocorre pouco mais de um mês após outra operação do Ministério Público que resultou na prisão de dois policiais militares aposentados suspeitos de atuar como seguranças pessoais de Andrade e de seus familiares.
Rogério de Andrade é sobrinho do contraventor Castor de Andrade, um dos nomes mais conhecidos da história do jogo do bicho no Rio. Após a morte do tio, em 1997, disputas internas marcaram o controle das atividades ilegais ligadas à contravenção.