Principais pontos da notícia:
1. Uma pesquisa Datafolha mostra um empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro em uma simulação de segundo turno, com altos índices de rejeição para ambos.
2. O artigo atribui a situação à polarização política e critica a atuação de Lula, que, apesar de indicadores econômicos positivos, enfrenta desgaste por fatores como o "silêncio" de seu filho ("Lulinha") e um estilo considerado autolouvatório.
3. A ascensão de Flávio Bolsonaro, ainda que ele tenha atuado de forma discreta, é vista como um estímulo para o apoio do mercado financeiro, enquanto Lula é criticado por um encontro considerado inadequado com um banqueiro.
Tópicos principais abordados:
- Cenário eleitoral e pesquisa de intenção de voto.
- Análise da popularidade e avaliação do governo Lula.
- Críticas à estratégia política e ao comportamento de Lula.
- Ascensão e desafios de Flávio Bolsonaro como candidato.
A notÃcia não podia ser pior para o PT. Numa simulação para o segundo turno, o Datafolha mostrou que Lula (46%) e Flávio Bolsonaro (43%) estão tecnicamente empatados. A avaliação negativa do governo chegou a 40% e 49% desaprovam o trabalho de Lula. Quando se vai para a rejeição, estão novamente empatados: Lula (46%) e Flávio (45%).
Lula já surfou com sucesso em outras pesquisas e faltam sete meses para a eleição. Flávio Bolsonaro até agora jogou parado, à sombra do pai preso.
Pode-se atribuir os números do Datafolha a uma polarização que envenena as eleições desde 2018. Os números do terceiro mandato de Lula indicam que há algo de injusto nesse empate com Flávio. A economia anda de lado, mas o Brasil saiu do mapa da fome, a renda dos trabalhadores melhorou e o desemprego caiu a nÃveis inéditos.
Uma explicação pode estar no próprio Lula. Três dias depois da divulgação do Datafolha, Lula recebeu o presidente da Ãfrica do Sul e repetiu sua encÃclica diplomática. Ele faz campanha no Itamaraty e tomou gosto pela autolouvação (71% dos entrevistados pelo Datafolha condenaram o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói). Ulysses Guimarães ensinava que o Itamaraty só dá votos no Burundi.
O silêncio e o absenteÃsmo de Lulinha começam a pesar mais para Lulão do que o encarceramento de Jair Bolsonaro para o desempenho de seu filho. Pode-se achar que há uma desproporção nesse resultado, mas assim é a vida. O silêncio de Lulinha tornou-se um peso morto para o pai.
A ascensão surpreendente de Flávio Bolsonaro será mais um estÃmulo para que a Faria Lima faça sua escolha. Lula recebeu Daniel Vorcaro numa brecha de sua agenda. O banqueiro foi levado ao presidente pelo ex-ministro Guido Mantega, seu consigliere. O simples fato de Mantega estar no Planalto comboiando Vorcaro seria suficiente para que os assessores de Lula dissessem que os dois seriam recebidos se a audiência tramitasse pelos devidos canais. Só a onipotência explica esse encontro. Lula acautelou-se colocando testemunhas na conversa. Sabendo o que sabia do Banco Master, Lula teria feito melhor recusando-se a receber Vorcaro.
Onipotência, na polÃtica, é prima do salto alto, e são vários os conhecedores de BrasÃlia que se revelam surpresos com a altura do salto petista. Lula tem sete meses para calçar as sandálias da humildade.
Só o tempo explicará a decisão de Lula de atirar o ministro Fernando Haddad na frigideira de uma disputa com o governador TarcÃsio de Freitas. Enquanto o governo de Lula tem 40% de avaliação negativa, o de TarcÃsio tem 45% de avaliação positiva.
Lula 3.0 cultiva uma agenda internacional que coleciona o êxito da neutralização do estrago feito pelos bolsonaristas na Casa Branca, que envenenaram a relação de Donald Trump com o Brasil. A volatilidade do presidente americano recomenda que esse sucesso seja sorvido com cautela.
Flávio Bolsonaro não poderá ir longe jogando parado. Sua primeira bola de ferro será a defesa de uma anistia para o pai, rejeitada por 54% numa pesquisa de setembro de 2025.