O presidente Donald Trump minimizou o impacto da alta do petróleo nos EUA e declarou a guerra no Irã "praticamente encerrada", posição que gerou ceticismo mesmo entre aliados. Analistas apontam uma divergência estratégica: enquanto Israel buscaria a queda do regime iraniano, os EUA priorizam um fim rápido do conflito, possivelmente com apenas uma troca de liderança. A situação se complica com a ascensão de Mojtaba Khamenei, visto como uma figura menos disposta a negociar.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse na segunda-feira (9) que a disparada no preço do petróleo não afeta os americanos de verdade. A tentativa de minimizar o problema não convenceu nem opositores, nem aliados do republicano, que estão preocupados com os efeitos econômicos da guerra no Irã.
Mais cedo, na própria segunda-feira, em meio à subida do barril, Trump chegou a dizer à rede CBS que o conflito estava "praticamente encerrado" âdeclaração que fez o preço do petróleo começar a cair. O anúncio do republicano veio também depois de uma conversa com Vladimir Putin. Segundo o Kremlin, o lÃder russo compartilhou propostas para uma resolução rápida da guerra no Irã.
Analistas americanos e israelenses ouvidos pela Folha dizem ver divergências entre os objetivos e interesses de Estados Unidos e Israel, o que pode levar também a uma falta de consenso sobre o momento de interromper os ataques. Para eles, Benjamin Netanyahu preferiria derrubar o regime iraniano; Trump, na busca por uma guerra mais rápida, consideraria uma troca da liderança, ainda que o regime dos aiatolás ficass e de pé.
Nesta semana, as ruas de Teerã ganharam imagens de Mojtaba Khamenei, escolhido o novo lÃder supremo do paÃs. Filho de Ali Khamenei, morto por ataques americanos e israelenses, Mojtaba é visto como alguém pouco propenso a negociar âinclusive por ser próximo à Guarda Revolucionária do Irã, força militar que tem papel central no caráter repressor do regime.
O Café da Manhã desta quarta-feira (11) fala dos objetivos de Israel e dos EUA na guerra no Irã e das perspectivas para que o conflito termine. O repórter da Folha Victor Lacombe conta o que ouviu de analistas americanos e israelenses, explica o que mudou nos últimos 11 dias e discute como movimentos recentes podem acelerar ou adiar o fim da guerra.
O programa de áudio é publicado no Spotify, serviço de streaming parceiro da Folha na iniciativa e que é especializado em música, podcast e vÃdeo. à possÃvel ouvir o episódio clicando acima. Para acessar no aplicativo, basta se cadastrar gratuitamente.
O Café da Manhã é publicado de segunda a sexta-feira, sempre no começo do dia. O episódio é apresentado pelas jornalistas Gabriela Mayer e Magê Flores, com produção de Daniel Castro, Gustavo Luiz, Laura Lewer e Lucas Monteiro. A edição de som é de Raphael Concli.