Resumo objetivo:
A Casa Branca, sob o governo de Donald Trump, tem usado recorrentemente a estética e a propriedade intelectual de jogos populares (como Call of Duty, Pokémon e GTA) em comunicações oficiais para promover sua agenda política, comparando ações militares a videogames e adaptando logos para slogans de campanha. A prática é uma estratégia deliberada, herdada de sua primeira campanha, para engajar um determinado público identificado durante o caso "Gamergate". A reação das empresas detentoras das marcas tem sido majoritariamente passiva, com poucas ou brandas manifestações contrárias ao uso não autorizado.
Principais tópicos abordados:
1. O uso recorrente de elementos de videogames pela administração Trump em propaganda política oficial.
2. A origem da estratégia, ligada ao engajamento político do público "gamer" identificado durante o "Gamergate".
3. A passividade e a falta de ações efetivas das empresas de games em proteger sua propriedade intelectual desses usos.
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a utilizar a linguagem dos games em meios de comunicação oficial para promover o seu governo. Na última quarta-feira (4), a conta da Casa Branca no X publicou um vÃdeo (em postagem posteriormente deletada) que mostrava bombardeios ao Irã como se fossem cenas do jogo de guerra "Call of Duty".
O filme começa com uma cena do jogo, em que o jogador pode pedir suporte aéreo para bombardear algum ponto do mapa. Na sequência, são mostradas imagens reais de bombardeios. Quando os alvos são atingidos, aparecem números indicando a pontuação, como no jogo.
Não parou por aÃ. No dia seguinte, data de lançamento do pacato jogo de fazendinha "Pokémon Pokopia", a Casa Branca publicou uma imagem copiando a identidade visual do jogo com os dizeres "Make America Great Again", lema da campanha de Trump.
Já na sexta (6), a Casa Branca voltou a publicar um vÃdeo semelhante ao primeiro, mas agora com imagens do game "GTA San Andreas".
A prática é recorrente na gestão Trump.
- Em setembro do ano passado, o Departamento de Segurança Interna já havia publicado um vÃdeo de gosto no mÃnimo duvidoso em que mostrava imagens de prisões do ICE (Agência de Imigração e Alfândega) com a música tema e imagens do anime de Pokémon ("Temos que Pegar");
- No mês seguinte, a mesma conta usou imagens do jogo "Halo", em que soldados lutam contra uma raça alienÃgena, em uma campanha para recrutamento do ICE;
- Também em outubro, a Casa Branca divulgou uma imagem feita por IA em que Trump aparece com uma armadura semelhante à de Master Chief, personagem principal da série "Halo".
As postagens e memes ligados ao mundo "gamer" remetem ainda à primeira campanha presidencial de Trump, quando Steve Bannon era o principal estrategista polÃtico do presidente americano.
Em 2014, após observar o caso "Gamergate", Bannon notou que havia entre jovens brancos americanos um descontentamento latente com polÃticas afirmativas. Além disso, notou nesse estrato populacional um "exército" para combater o pensamento progressista, com capacidade de repercutir tanto no mundo virtual (com memes e xingamentos) quanto no real (com boicotes e compartilhamento de informações pessoais de adversários, prática conhecida como "doxing").
"Você pode ativar esse exército. Eles entram por meio do âGamergateâ ou algo do tipo e depois são direcionados para a polÃtica e para o Trump", disse Bannon ao jornalista Joshua Green no livro "Devil's Bargain: Steve Bannon, Donald Trump, and the Nationalist Uprising", que conta os bastidores da primeira campanha presidencial do republicano.
A persistência na tática não chega a surpreender. O que impressiona é a passividade com que as empresas de games permitem que o presidente americano use as suas marcas e propriedades intelectuais para se autopromover.
Em 2016, a Electronic Arts tomou medidas concretas para tirar do ar um vÃdeo repostado pelo então candidato das eleições primárias republicanas para a Presidência dos EUA, em que ele usava músicas e dublagem do jogo "Mass Effect".
"O vÃdeo faz uso não autorizado de nossa propriedade intelectual. Não apoiamos que nossos ativos sejam utilizados em campanhas polÃticas", disse a EA em comunicado na época.
Hoje, porém, as investidas do presidente americano são ignoradas pelas empresas ou, no máximo, resultam em uma nota anódina.
Activision, Xbox e Microsoft, por exemplo, até agora não se manifestaram sobre a associação de "Call of Duty" a um conflito real.
Já a porta-voz da The Pokémon Company, Sravanthi Dev, afirmou que a empresa não deu permissão para uso da sua propriedade intelectual. "Nossa missão é unir o mundo, e essa missão não está associada a qualquer ponto de vista ou agenda polÃtica", afirmou. Ainda assim, a postagem continua no ar.
As empresas de games parecem evitar entrar em confronto direto com Trump devido à forma autoritária como o presidente americano lida com aqueles que ousam discordar dele.
Uma demonstração disso foi feita também na semana passada, quando o jornal Financial Times publicou que o governo americano avalia se deixará a chinesa Tencent manter seus investimentos na indústria de games do paÃs. A empresa atualmente é dona, entre outros, da Riot, empresa californiana que criou "League of Legends", e detém 28% das ações da Epic Games, dona de "Fortnite" e da plataforma de criação de games Unreal Engine.
Como todo lÃder autoritário, é por meio do medo que Trump busca impor suas vontades. Ações como a contra Tencent servem de alerta para os executivos de outras empresas de games para não se oporem à s práticas ilegais do presidente americano.
play
dica de game, novo ou antigo, para você testar
Marathon
(PC, PlayStation 5 e Xbox Series X/S)
O novo jogo multiplayer da Bungie, criadora das séries "Halo" e "Destiny", é um "extraction shooter" com visual futurista. Disputadas em times de três pessoas, as partidas colocam os jogadores frente a frente com outras equipes e robôs controlados pelo computador. A grande diferença dos outros jogos do tipo é que os jogadores precisam levar suas próprias armas e equipamentos para a partida âou tentar encontrar algo por lá. Caso seja derrotado, todo o equipamento é perdido. A mecânica obriga os jogadores a serem cuidadosos na forma como encaram os confrontos, premiando o jogo tático e a inteligência até mais do que a rapidez no gatilho.
O jornalista recebeu uma cópia do jogo para teste.
update
novidades, lançamentos, negócios e o que mais importa
- A Nintendo of America está processando o governo dos EUA devido às tarifas de importação implementadas pelo presidente Trump no ano passado. A ação visa ao ressarcimento da empresa após as tarifas terem sido consideradas ilegais pela Suprema Corte dos EUA em fevereiro.
- A PlayStation deixará de lançar seus principais tÃtulos para um jogador no PC, afirmou a Bloomberg. Segundo a publicação, "Ghost of Yotei" e o ainda em desenvolvimento "Saros" são dois dos jogos que deixarão de ser lançados para computador, interrompendo uma prática da empresa que vinha desde 2020.
- A nova presidente da Microsoft Gaming, Asha Sharma, anunciou no X que a próxima geração de consoles Xbox, apelidada de projeto Helix, será compatÃvel tanto com jogos de Xbox como de PC.
- Os desenvolvedores de "Highguard", jogo multiplayer que ganhou fama após ser revelado no trailer de encerramento no último The Game Awards, anunciaram que os servidores do jogo serão desligados em 12 de março, apenas um mês e meio depois do seu lançamento.
- Google e Epic Games chegaram a um acordo e encerrarão uma longa batalha judicial que resultou na retirada do jogo "Fortnite" de dispositivos Android. Como parte do acordo, o Google reduziu a comissão cobrada na plataforma de 30% para 20% e permitiu que os desenvolvedores incluam seus próprios meios de pagamento nos aplicativos.
- A Abragames (Associação Brasileira das Desenvolvedoras de Jogos Eletrônicos) lidera uma comitiva de 38 estúdios na GDC (principal conferência de desenvolvedores de games do mundo), que acontece de 9 a 13 de março em San Francisco. A expectativa da associação é gerar oportunidades de negócios e ajudar a expandir a indústria brasileira de games.
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games que serão lançados nos próximos dias e promoções que valem a pena
12.mar
"1348 Ex Voto" (PC, PS 5)
"Collectorâs Cove" (PC, PS 5, Switch)
"Fatal Frame II: Crimson Butterfly Remake" (PC, PS 5, Xbox X/S, Switch 2)
"GreedFall: The Dying World" (PC, PS 5, Xbox X/S)
"John Carpenter's Toxic Commando" (PC, PS 5, Xbox X/S)
"Solasta II"* (PC)
13.mar
"Monster Hunter Stories 3: Twisted Reflection" (PC, PS 5, Xbox X/S, Switch 2)
"WWE 2K26" (PC, PS 5, Xbox X/S, Switch 2)
16.mar
"Starship Troopers: Ultimate Bug War!" (PC, PS 5, Xbox X/S, Switch 2)
"The Seven Deadly Sins: Origin" (PC, PS 5)
17.mar
"Deadzone: Rogue" (Switch 2)
"Elemental: Reforged" (PC)
"MLB The Show 26" (PS 5, Xbox X/S, Switch)
*Acesso antecipado
Promoções da semana
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A Humble Bundle está fazendo uma campanha beneficente com jogos de primeira linha a preço promocional. Por US$ 18 (cerca de R$ 100) é possÃvel adquirir dez tÃtulos para PC, incluindo a trilogia "Mafia", "Pentiment", "Tetris Forever" e o brasileiro "Horizon Chase 2". A promoção vai até o dia 27 e parte do dinheiro arrecadado irá para uma instituição filantrópica.
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Em comemoração ao Dia do Mario, comemorado em 10 de março, a Nintendo colocou em promoção uma série de jogos do encanador bigodudo. Entre os tÃtulos com desconto estão "Super Mario Party Jamboree" por R$ 244,30 (-30%), o remake "Super Mario RPG" por R$ 244,30 (-30%) e "Mario + Rabbids Sparks of Hope" por R$ 29,99 (-90%). As ofertas vão até a madrugada da próxima segunda (16)