Resumo objetivo:
O conflito no Oriente Médio intensificou-se com o Irã atacando navios mercantes no Golfo Pérsico para reforçar o bloqueio ao Estreito de Hormuz, rota vital para 20% do petróleo e gás natural global. Em resposta, os EUA afundaram embarcações iranianas e atacaram bases militares, enquanto os preços do petróleo oscilam bruscamente devido à instabilidade. A guerra expandiu-se com ataques aéreos e de drones em países como Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Arábia Saudita, causando centenas de mortes e danos à infraestrutura civil.
Principais tópicos abordados:
1. Bloqueio e militarização do Estreito de Hormuz pelo Irã e contra-ataques dos EUA.
2. Impacto no mercado global de energia, com volatilidade nos preços do petróleo.
3. Expansão geográfica do conflito, incluindo ataques a navios, aeroportos e infraestrutura em vários países do Golfo.
4. Declarações beligerantes de Irã e Israel, indicando prolongamento da guerra.
5. Danos humanitários e civis, com mortes e destruição de edifícios no Irã e em outros territórios.
A guerra no Oriente Médio entrou em seu 12º dia em alta intensidade, com o Irã atacando nesta quarta-feira (11) ao menos três navios mercantes no golfo Pérsico para reafirmar sua disposição de manter fechado o estratégico estreito de Hormuz.
Na véspera, os Estados Unidos anunciaram ter afundado 16 navios lançadores de minas marÃtimas na região. O objetivo, disse o Pentágono, foi o de evitar que eles operassem agora que o grosso da Marinha de Teerã está inutilizado.
Pela estreita rota passam, normalmente, 20% do petróleo e do gás natural liquefeito do planeta, o que levou a variações brutais no preço das commodities. O Irã militarizou o estreito, distribuindo ao menos 16 bases na sua costa norte e ilhas, e os EUA atacaram ao menos 10 desses pontos segundo imagens de satélite.
Nesta quarta, 1 dos 3 cargueiros atingidos, de bandeira tailandesa, teve de ser evacuado devido a um incêndio a bordo perto de Omã. Os outros dois incidentes foram menos graves, e os navios foram levados para portos dos Emirados Ãrabes Unidos.
O paÃs do golfo Pérsico é o mais atingido, em volume de ataques do Irã, na guerra. Também nesta quarta, ao menos quatro pessoas ficaram feridas durante uma ação com drones junto ao aeroporto de Dubai, que opera de forma parcial.
No Bahrein, o aeroporto internacional também foi alvo de ações. O reino foi particularmente atingido por abrigar a estação naval da Quinta Frota dos EUA, que teve um radar avaliado em US$ 1,1 bilhão (R$ 5,7 bilhões) destruÃdo no começo da guerra, em 28 de fevereiro.
A instabilidade da região contaminou todo o comércio global de energia. Após o barril referencial do petróleo bater quase US$ 120 na segunda (9), falas do presidente Donald Trump dando a entender que o conflito será curto o levaram a nÃveis em torno de US$ 90, mas com forte oscilação.
Nesta quarta, tanto Israel quanto o Irã foram na mão contrária do americano. O ministro Israel Katz (Defesa) disse que o conflito irá continuar "sem qualquer limite de tempo", enquanto a poderosa Guarda Revolucionária do regime de Teerã reafirmou que lutará "até a sombra a guerra ser levantada".
Alvo de ataques na noite de terça (10), a Arábia Saudita está especialmente preocupada, já que 90% de sua produção é escoada por Hormuz. Segundo a estatal Saudi Aramco, o prolongamento do conflito pode levar a uma "tragédia", enquanto o paÃs tenta ampliar o funcionamento de oleodutos rumo ao mar Vermelho.
Os EUA parecem atentos a esse ponto, talvez de olho na hipótese hoje improvável de uma acomodação com o Irã após a guerra. Até aqui, nem os americanos, nem os israelenses atacaram a ilha de Kargh, que concentra a infraestrutura para exportar de 80% a 90% do petróleo iraniano no golfo.
Entra na equação a pressão da China, com quem Trump trava duras negociações comerciais. Pequim comprou em 2025 quase 15% de seu petróleo, a preço com desconto, de Teerã. A destruição dos terminais de escoamento da commodity impactaria duramente a economia dos rivais, dando assim uma carta a mais para os americanos.
A madrugada e a manhã seguiram violentas do lado de quem começou a guerra. Os EUA promoveram diversos ataques, alguns com bombardeiros saÃdos de bases antes vetadas para seu uso no Reino Unido, mirando principalmente a infraestrutura de mÃsseis balÃsticos do Irã.
Os ataques ao paÃs persa já deixaram, segundo o governo, mais de 1.300 mortos. O Crescente Vermelho, órgão humanitário análogo da Cruz Vermelha em paÃses islâmicos, disse nesta quarta que 19.734 edifÃcios civis foram danificados no Irã, incluindo 77 centros médicos e 65 escolas.
Já Israel anunciou nesta manhã uma nova onda de ataques a Teerã e a posições do grupo libanês Hezbollah em Beirute. O Hezbollah, aliado da teocracia iraniana, lançou ataques contra o norte e centro do Estado judeu.
Ao menos 570 pessoas já morreram no paÃs árabe, cujo governo viu sua tentativa de mediar o conflito entre os fundamentalistas xiitas e o Estado judeu fracassar.