O preço do petrôleo teve uma sessão volátil, com alta de quase 6% impulsionada por ataques do Irã e ameaças a setores econômicos, mas recuou parcialmente após o anúncio de que Japão e Alemanha liberariam parte de suas reservas estratégicas. Os mercados acionários refletiram a instabilidade, com bolsas asiáticas em alta, enquanto as europeias operavam em queda. A notícia aborda principalmente a extrema volatilidade dos preços do petróleo, os fatores geopolíticos de risco (ataques e ameaças do Irã) e as medidas para aumentar a oferta, como a liberação de estoques emergenciais.
Após dois dias de forte oscilação, o preço do petróleo começou a sessão de quarta-feira (11) em queda, reverteu a tendência e chegou a subir 5,87%, antes de diminuir o valor, mas seguir em alta em relação ao fechamento na terça-feira (10).
As Bolsas da Ãsia fecharam em alta, mas os principais Ãndices da Europa operam em queda, enquanto o ouro está se desvalorizando.
O barril Brent, referência mundial, começou o dia em queda e chegou a perder 1,72%, cotado a US$ 86,29 (R$ 445,21), à s 1h30 (horário de BrasÃlia). Aos poucos, ele passou a subir com a divulgação de novos ataques do Irã a navios-petroleiros e a ameaça de bombardeiros a bancos e outros setores econômicos de EUA e Israel.
Em seu ápice, o contrato de maio do petróleo alcançou US$ 92,96 (R$ 479,63), alta de 5,87%, às 6h45. Depois da informação que Japão e Alemanha aceitaram liberar parte de seu estoque emergencial de petróleo, o preço do barril reduziu o valor, mas permanecia em valorização de 4,28%, a US$ 91,60 (R$ 472,61), às 9h35.
Os altos e baixos desta quarta ocorrem após um dia de forte queda nessa terça, quando o petróleo chegou a desabar 18% e fechou a sessão com desvalorização de 11,3%, a US$ 87,80, maior perda diária desde março de 2022. Na segunda, o movimento foi justamente o contrário com o valor do barril chegando a disparar 28%, alcançando US$ 119,46, mas passou a cair na sessão e fechou a US$ 89,79.
O barril WTI (West Texas Intermediate), usado nos EUA, também começou em queda nesta quarta, chegou a subir 6,5% e diminuiu a alta para 4,41%, cotado a US$ 87,13 (R$ 449,55).
Na noite de terça, o jornal The Wall Street Journal divulgou que a AIE (Agência Internacional de Energia) aceitou liberar cerca de 300 milhões de barris de petróleo para reestabelecer o fornecimento no mundo, impactado pela paralisação do tráfego marÃtimo no estreito de Hormuz, que passa pelo litoral iraniano e é a rota de 20% da produção mundial de petróleo e gás.
A informação da liberação não foi oficializada pela AIE, mas os ministros de Finanças da Alemanha e do Japão divulgaram, horas depois, que vão liberar parte de suas reservas de petróleo. A quantidade não foi anunciada.
Em nota aos clientes, os analistas do Goldman Sachs disseram que a liberação de estoque deste porte seria suficiente para compensar 12 dias da interrupção das exportações do Golfo, estimada pelo banco de investimentos em 15,4 milhões de barris por dia.
Mas outros analistas mostraram-se céticos quanto à proposta da AIE e seu impacto sobre os preços do petróleo. "Movimentos como a liberação do SPR da AIE não são a solução para a crise. A evolução dos preços do petróleo dependerá da duração da guerra com o Irã", afirmou Suvro Sarkar, lÃder da equipe do setor de energia do DBS.
Trump tem dito repetidamente que os EUA estão preparados para escoltar navios-tanque pelo estreito de Hormuz quando necessário. No entanto, fontes disseram que o movimento ainda não ocorreu.
BOLSAS DA ÃSIA SOBEM, MAS CAEM NA EUROPA E NOS EUA
A preocupação com o preço do petróleo impactou nas negociações da Bolsa, que refletiu a variação. De madrugada (em BrasÃlia), quando o movimento era de queda no preço do barril, as principais Bolsas da Ãsia fecharam em alta, com destaque para Seul, que ganhou 1,4%, mesma variação em Tóquio. O Ãndice SSEC, em Xangai, subiu 0,25%.
Porém, de manhã, quando o petróleo subia, as Bolsas da Europa passaram a cair, com o Ãndice Euro STOXX 600, referência na União Europeia, em queda de 0,89%, à s 9h30. Outras Bolsas europeias também desvalorizavam como Frankfurt (-1,10%), Londres (-0,70%), Paris (-0,67%), Madri (-0,36%) e Milão (-0,87%).
Já as Bolsas dos EUA subiam antes da abertura do mercado com Dow Jones em alta de 0,23%, mesma variação de S&P 500. A Nasdaq tinha valorização de 0,19%. O ouro, por sua vez, registrava queda de 0,89%, cotado a US$ 5.195,50 (R$ 26,81 mil).