A Agência Internacional de Energia (AIE) recomendará a maior liberação de petróleo de sua história, com 400 milhões de barris de reservas estratégicas, visando conter a alta dos preços impulsionada pelo conflito entre EUA, Israel e Irã. A medida, que mais que dobra o volume recorde de 2022 durante a guerra na Ucrânia, será coordenada entre os países membros e terá sua implementação discutida nas reuniões do G7. Os principais tópicos abordados são: a decisão da AIE, o impacto geopolítico no preço do petróleo e o processo de coordenação entre as economias ocidentais para a liberação das reservas.
A AIE (Agência Internacional de Energia) recomendará a liberação de 400 milhões de barris de petróleo, o maior movimento desse tipo na história da organização, informaram três pessoas próximas ao órgão nesta quarta-feira (11). A medida visa conter a alta dos preços do petróleo em meio à guerra dos Estados Unidos e Israel com o Irã.
Uma das fontes disse que a liberação seria espaçada por pelo menos dois meses, enquanto a ministra de Energia da Espanha afirmou que os paÃses terão até 90 dias para liberar esse volume.
Três pessoas ouvidas pela reportagem afirmaram que a AIE publicará sua recomendação nesta quarta-feira, antes da reunião dos lÃderes do G7, presidida pela França.
A AIE não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.
Em 2022, os paÃses membros da AIE liberaram 182,7 milhões de barris em dois meses, o que foi o maior da história da AIE, quando a Rússia lançou sua invasão em grande escala na Ucrânia.
"Eu diria que é a maior proposta da história da Agência Internacional de Energia", comentou Sara Aagesen, ministra de Energia da Espanha.
"Durante a guerra na Ucrânia, eles estavam falando em liberar cerca de 182 milhões de barris, e agora é uma quantidade que é mais do que o dobro da proposta deles", avaliou.
As economias ocidentais coordenam seus estoques estratégicos de petróleo por meio da AIE, que foi criada após a crise do petróleo da década de 1970.
O presidente francês, Emmanuel Macron, deve presidir a reunião dos lÃderes do G7 ainda nesta quarta-feira, depois que o bloco disse que seus ministros de Energia apoiam o uso das reservas.
"Em princÃpio, apoiamos a implementação de medidas proativas para lidar com a situação, incluindo o uso de reservas estratégicas", comunicaram os ministros de Energia do G7 na última segunda-feira (9) após uma reunião virtual.
Uma pessoa do G7 disse à Reuters que, embora nenhum paÃs enfrente atualmente uma escassez fÃsica de petróleo bruto, os preços estão subindo drasticamente e deixar a situação sem supervisão não é uma opção.
No entanto, qualquer liberação real não pode começar imediatamente porque as decisões sobre aspectos como alocações de paÃses e cronograma exigem mais discussões, declarou essa pessoa. A expectativa é que a AIE proponha cenários para discussão do grupo.