Resumo objetivo:
O estado de São Paulo confirmou o primeiro caso de sarampo de 2026, em um bebê de seis meses não vacinado que contraiu a doença durante viagem à Bolívia. Especialistas alertam que, apesar do Brasil ter reconquistado em 2024 a certificação de país livre do sarampo, o risco persiste devido a casos importados e ao aumento de infecções nas Américas, exigindo vigilância e alta cobertura vacinal para evitar a transmissão sustentada.
Principais tópicos abordados:
1. Confirmação do primeiro caso de sarampo em São Paulo em 2026 (importado).
2. Risco da doença e sua alta contagiosidade, incluindo complicações e "amnésia imunológica".
3. Situação epidemiológica: certificação do Brasil como país livre do sarampo e alerta sobre o aumento de casos nas Américas.
4. A importância da vacinação como principal medida de prevenção e o esquema vacinal recomendado.
O estado de São Paulo confirmou nesta quarta-feira (11) o primeiro caso de sarampo de 2026: um bebê de seis meses não vacinado, que contraiu a doença durante uma viagem à BolÃvia em janeiro, de acordo com a Secretaria de Estado da Saúde. O caso foi notificado à pasta em fevereiro e confirmado agora por exames laboratoriais.
"O sarampo é uma doença extremamente contagiosa, das doenças infecciosas talvez a que apresenta a maior taxa de transmissão", afirma Renato Kfouri, vice-presidente da SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações). Segundo ele, um único caso pode gerar outros 16 em ambientes sem vacinação âÃndice conhecido como R0, que mede a capacidade de multiplicação do vÃrus.
Kfouri lembra que, além dos riscos diretos como pneumonia e encefalite, a doença provoca uma espécie de amnésia imunológica. "Quem tem sarampo acaba ficando mais suscetÃvel, à s vezes três a seis meses depois do quadro agudo, a outras doenças infecciosas", explica.
O Brasil recebeu, em novembro de 2024, a certificação de paÃs livre do sarampo, tÃtulo que havia sido perdido em 2018 após surto com 40 mil casos e 40 mortes associados à baixa cobertura vacinal e à entrada do vÃrus pela fronteira com a Venezuela. A nova certificação foi possÃvel após o último caso autóctone ser registrado no Amapá em junho de 2022, afirma o médico.
O especialista destaca que casos importados, por si só, não comprometem a certificação âsegundo ele, o que a ameaça é a transmissão sustentada dentro do paÃs.
"Sempre que a gente tem um caso importado, muitas ações são desencadeadas", diz Kfouri, citando bloqueio vacinal, busca ativa de contatos, testagem e isolamento dos casos confirmados.
"O grande desafio é, neste cenário com tantos casos na região das Américas, mantermos aqui a região [Brasil] livre da transmissão", afirma.
No último mês, a Opas (Organização Panamericana de Saúde) emitiu alerta sobre o crescimento de casos nas Américas, que aumentou 32 vezes entre 2024 e 2025. Segundo a organização, em 2025 foram registrados 14.891 casos de sarampo no continente, incluindo 29 mortes, das quais 22 (73%) ocorreram na população indÃgena.
A maioria dos casos foi registrada no México, que teve 6.428 confirmações e 24 mortes, seguido pelo Canadá, com 5.436 casos e dois óbitos, e os Estados Unidos, com 2.242 casos e três mortes.
No Brasil foram confirmados 38 casos em seis estados e no Distrito Federal âdez foram contraÃdos fora do paÃs. Os casos foram confirmados em Tocantins (25), Mato Grosso (6), Rio de Janeiro (2), São Paulo (2), Rio Grande do Sul (1), Maranhão (1) e DF (1).
Quem deve se vacinar
A vacinação contra o sarampo faz parte do Calendário Nacional de Vacinação. A primeira dose é aplicada aos 12 meses (trÃplice viral: sarampo, caxumba e rubéola), e a segunda aos 15 meses (tetra viral, que inclui também a varicela).
Crianças com até 6 meses, como no caso confirmado em São Paulo, ainda não estão em idade para receber o imunizante.
Pessoas de 5 a 29 anos devem tomar duas doses, com intervalo mÃnimo de 30 dias. Entre 30 e 59 anos, uma dose é suficiente. Profissionais de saúde devem comprovar duas doses da trÃplice viral, independentemente da idade.
A Secretaria de Estado da Saúde afirma que monitora continuamente o cenário epidemiológico e que a vacinação é a principal forma de prevenção contra a doença.