Resumo objetivo:
O procurador do Ministério Público junto ao TCU pediu o afastamento do presidente do IBGE, Marcio Pochmann, devido a supostas irregularidades em sua gestão. As acusações incluem exonerações de servidores de carreira, tentativa de criar uma fundação sem base legal e a criação de um ambiente de conflito interno. O procurador argumenta que essas práticas prejudicaram a credibilidade da instituição, o que pode causar danos econômicos ao erário, como o aumento do custo da dívida pública.
Principais tópicos abordados:
1. Pedido de afastamento do presidente do IBGE.
2. Acusações de irregularidades administrativas na gestão.
3. Impacto na credibilidade da instituição e seus dados oficiais.
4. Consequências econômicas potenciais da perda de confiança nos indicadores do IBGE.
O procurador Júlio Marcelo de Oliveira, do Ministério Público junto ao TCU (Tribunal de Contas da União), pediu o afastamento do presidente do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e EstatÃstica), Marcio Pochmann.
O documento cita supostas irregularidades na gestão de Pochmann, incluindo sucessivas exonerações de servidores de carreira, tentativa de criação da Fundação IBGE+ sem lei especÃfica autorizadora e manutenção de ambiente de conflito com o corpo técnico responsável por áreas sensÃveis.
O IBGE foi procurado por email na noite desta terça-feira (10) e na manhã desta quarta (11), mas ainda não respondeu à reportagem. Também não houve manifestação pública da instituição sobre a situação.
O procurador argumenta que práticas da atual gestão do IBGE prejudicaram a credibilidade dos dados produzidos pela instituição e tiveram "potencial de causar dano ao Erário". O documento afirma que a confiança de agentes econômicos é fundamental para o funcionamento de mercados e contas públicas e que "a credibilidade dos indicadores oficiais está associada a juros mais baixos e estabilidade fiscal".
"Embora seja muito difÃcil, ou mesmo inviável mensurar prejuÃzos ao Tesouro Nacional ocasionados pela crise de credibilidade no IBGE, a teoria econômica e o histórico de crises de confiança indicam uma relação causal evidente", diz o texto. O procurador afirma que quando instituições responsáveis por dados oficiais perdem credibilidade, isso pode elevar o custo de financiamento da dÃvida pública.
"A perda de confiança nos dados oficiais compromete diretamente a arrecadação projetada, a formulação de polÃticas públicas e a estabilidade macroeconômica, configurando ameaça concreta ao patrimônio público", afirma Oliveira.
Pochmann, economista que também já presidiu o Ipea, assumiu o comando do IBGE em agosto de 2023. A crise, por sua vez, se arrasta desde o ano seguinte, e voltou a chamar a atenção em janeiro deste ano, quando a direção confirmou a exoneração de duas servidoras, incluindo Rebeca Palis, coordenadora de contas nacionais, setor responsável pelo cálculo do PIB (Produto Interno Bruto). A decisão pegou técnicos de surpresa às vésperas da divulgação do indicador, que aconteceu no dia 3 de março.
A criação do IBGE+, que o procurador também cita entre os problemas da gestão, é considerada um ponto central do inÃcio da crise na entidade. à época, servidores relataram que o quadro técnico não foi ouvido para a elaboração da proposta da fundação, que seria pública de direito privado e era chamada por alguns de "IBGE paralelo". A proposta foi suspensa pelo governo em janeiro de 2025.