Resumo objetivo:
Representantes de bares e restaurantes, através da Abrasel, avaliam que as medidas do Cade não melhoraram significativamente a competitividade no mercado de delivery e pedem maior intervenção. O foco está na reavaliação dos contratos de exclusividade entre plataformas e restaurantes, que foram citados pela Keeta como obstáculo à sua operação no Rio de Janeiro. A Abrasel argumenta que as regras atuais podem estar sendo contornadas e solicita que o Cade atue no caso específico da Keeta e analise mais denúncias.
Principais tópicos abordados:
1. Crítica à efetividade das medidas do Cade para aumentar a competitividade no delivery.
2. Contratos de exclusividade entre plataformas e restaurantes como ponto central de disputa.
3. A entrada de novos players (99Food e Keeta) e o caso específico da Keeta no Rio de Janeiro.
4. A posição da Abrasel cobrando uma atuação mais incisiva do Cade.
Representantes de bares e restaurantes veem pouca mudança na competitividade do mercado de delivery, mesmo com medidas adotadas pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) nos últimos anos, e pedem maior intervenção da entidade no setor.
A Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes) pede que o Cade reavalie os contratos de exclusividade entre plataformas e restaurantes. Esses acordos se intensificaram em 2025 como estratégia para atrair estabelecimentos, impulsionados pela chegada de novos players ao setor â99Food e Keetaâ que acirram a concorrência antes dominada pelo iFood.
A associação destaca um episódio recente que envolveu a Keeta, braço internacional da Meituan, maior empresa de delivery do mundo, que começou a atuar no Brasil em outubro de 2025. A companhia fez cortes de funcionários na última quarta-feira (4) no Rio de Janeiro depois de adiar o lançamento do serviço na cidade.
Quando anunciou o adiamento do lançamento na capital fluminense, a Keeta culpou os contratos de exclusividade firmados entre restaurantes e os concorrentes iFood e 99Food, que inviabilizariam a operação.
à Folha, o CEO da empresa, Tony Qiu, disse que levaria a questão ao Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), a autoridade responsável por manter a competitividade no Brasil.
Para o iFood, é incorreto afirmar que o mercado de delivery carioca esteja fechado à concorrência. "Nos causa estranheza que os contratos de exclusividade estejam impactando uma determinada plataforma, sem atingir outros concorrentes que seguem investindo na cidade e expandindo suas operações", disse o aplicativo em nota.
O iFood e o Cade acordaram um TCC (Termo de Compromisso de Cessação) em 2023 que limita a exigência de exclusividade em contratos firmados pela plataforma com restaurantes parceiros.
A Abrasel defende que sua posição não é um ataque a empresas especÃficas, mas de cobrança institucional ao órgão responsável pela defesa da concorrência. Sobre o episódio carioca, afirma que o efeito prático de medidas monitoradas por TCC pode estar sendo neutralizado quando combinado com outras estratégias de exclusividade.
A entidade pede que o Cade se manifeste no processo envolvendo a Keeta, no qual a Abrasel atua como terceira interessada, e analise mais denúncias.