A próxima safra de cana-de-açúcar no centro-sul do Brasil deve crescer 4%, com projeção de moagem de 635 milhões de toneladas e um volume recorde de produção de etanol. O aumento total da cana será direcionado para o etanol, impulsionado pelo cenário geopolítico de incertezas e alta nos preços do petróleo. Paralelamente, espera-se que o índice de substituição da gasolina por etanol, que já foi de 45,6% na safra anterior, avance ainda mais no país.
Principais tópicos abordados:
1. Previsão de crescimento da safra: aumento de 4% na moagem de cana para a safra 26/27.
2. Produção recorde de etanol: todo o incremento de cana será destinado ao biocombustível.
3. Contexto geopolítico e de mercado: influência das tensões internacionais e da cotação do petróleo na demanda por etanol.
4. Substituição da gasolina: potencial de crescimento do consumo de etanol em substituição à gasolina, especialmente no Nordeste.
A próxima safra de cana-de-açúcar no centro-sul do Brasil deverá crescer 4%, com volume recorde de etanol produzido nas usinas, em meio à s incertezas geopolÃticas como a guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.
Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (20) em Ribeirão Preto (a 313 km de São Paulo), durante evento da consultoria Datagro de abertura de safra de cana, açúcar e etanol no paÃs. A região centro-sul inclui os principais estados produtores, como São Paulo, Goiás, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul.
A projeção é que a moagem de cana nas usinas alcance 635 milhões de toneladas, ante as 610,5 milhões previstas da safra passada, total que, embora seja superior aos dois últimos anos, está abaixo do recorde histórico do setor, obtido na safra 2023/24, com 654,4 milhões de toneladas.
O ano-safra da cana vai de abril a março do ano seguinte, o que significa que a safra 26/27 começará no próximo dia 1º.
O cenário projetado pela Datagro para a safra que se iniciará dependerá, porém, das condições climáticas de março e abril, segundo o presidente da consultoria, PlÃnio Nastari. "Elas vão determinar o volume de cana do segundo semestre", disse.
O que já se projeta é que, do total de cana moÃda, a maior parte (51,5%) será destinada para a produção de etanol hidratado (usado diretamente nos veÃculos) e anidro (misturado à gasolina antes da comercialização nos postos).
O restante irá para a fabricação de açúcar, que deverá repetir o desempenho da safra 25/26, com 40,7 milhões de toneladas.
Todo o acréscimo de cana previsto, portanto, terá como destino produzir etanol, num momento crÃtico em relação à cotação do petróleo no mercado internacional. Nesta quarta, o Irã atingiu com drones ao menos três cargueiros no golfo Pérsico.
"Se preparem para o petróleo a US$ 200 o barril, porque o preço depende da segurança regional que vocês desestabilizaram", disse o porta-voz militar iraniano Ebrahim Zolfaqari. O barril está flutuando acima de US$ 90, depois de ter batido quase US$ 120.
Serão produzidos, caso as previsões se confirmem, 4,6 bilhões de litros a mais do biocombustÃvel na próxima safra, num total de 38,42 bilhões, dos quais 23,85 bilhões de hidratado e 14,57 bilhões de anidro.
Nastari afirmou que estudos da Datagro com base na frota e no consumo dos combustÃveis mostraram que na safra anterior 45,6% da gasolina foi substituÃda por etanol, Ãndice que tem condições de crescer em quase todo o paÃs, o que seria positivo, segundo ele, dadas as incertezas e as vantagens ambientais do combustÃvel derivado da cana.
Em estados como São Paulo (58,9% de substituição da gasolina) e Mato Grosso (67,2%) o consumo de etanol é mais consolidado, mas ele vê cenário para avanços em estados do Nordeste, que têm Ãndices abaixo de 40%.
"Não se compara com nenhum outro lugar do mundo. Nos Estados Unidos é 10,3%, na Argentina, 12%. Há um potencial enorme no Nordeste, em Pernambuco, Alagoas, ParaÃba, Rio Grande do Norte, de 32% a 38%. Certamente esses estados apresentarão crescimento em 2026."