Resumo objetivo:
Um tenente-coronel da PM de São Paulo nega ser violento ou controlador após a morte de sua esposa, também policial, encontrada com um tiro na cabeça no apartamento do casal. Ele classifica as acusações da família da vítima como "narrativas" para denegrir sua imagem, enquanto o IML identificou lesões no pescoço e rosto da morta. A Polícia Civil trata o caso como morte suspeita e avalia pedir a prisão do oficial.
Principais tópicos abordados:
1. A defesa do tenente-coronel contra acusações de violência e controle.
2. As evidências periciais (lesões na vítima) e circunstâncias suspeitas da morte.
3. A investigação da Polícia Civil, que pode resultar no pedido de prisão do acusado.
4. Os detalhes contraditórios sobre o comportamento do oficial e a preservação da cena do crime.
O tenente-coronel da PolÃcia Militar de São Paulo Geraldo Leite Rosa Neto chamou, nesta quarta-feira (11), de "narrativas" as alegações de que ele seria uma pessoa violenta e abusiva. A classificação, segundo ele, estaria sendo feita pela famÃlia de sua mulher, a também PM Gisele Alves Santana, encontrada morta dentro do apartamento do casal com um tiro na cabeça.
"A famÃlia fala o que quiser. à cada dia uma mentira diferente para denegrir a minha imagem", afirmou. As declarações foram dadas em entrevista à TV Record. "O Brasil inteiro acha que eu sou um assassino", acrescentou o oficial.
Gisele chegou a ser socorrida, mas não resistiu e morreu. Um laudo do IML (Instituto Médico Legal) disse nesta terça-feira (10) que a policial apresentava lesões no pescoço e no rosto com sinais de dedos e unhas ao redor delas. O coronel disse acreditar que essas marcas tenham sido causadas pela filha de Gisele, que a mãe carregava no pescoço em atividades recreativas.
A PolÃcia Civil trata o caso como morte suspeita e avalia pedir a prisão do oficial.
Ele disse que ainda não sabe por que Gisele pode ter se matado. "Uma mulher bonita, simpática, jovem", disse. "Todos os dias eu falo para Deus consolar meu coração", disse.
Geraldo Neto disse que tomou um segundo banho naquele dia "porque estava passando mal" e porque "sabia que eu ia precisar ir ao hospital para acompanhar minha esposa, à polÃcia para prestar depoimento". O fato de ele ter voltado ao apartamento após o atendimento à mulher levantou questões sobre a preservação da cena para a adequada realização da perÃcia.
O oficial também negou que a proibisse de usar batom, salto alto e perfume. "Pega as redes sociais dela. Em todas as fotos ela está de batom, de maquiagem, muito bem vestida. Tem fotos dela de biquÃni", disse O coronel, que declarou nunca tê-la privado de nada.
"Eu não culpo os pais dela por terem essa dúvida [sobre a morte dela]. Se estivessem no apartamento só ela e a mãe dela, e ela se matasse, eu iria desconfiar que foi a mãe dela que a matou", declarou o tenente-coronel.
Neto disse durante a entrevista que foi seu superior na PM quem determinou uma limpeza no apartamento horas depois do crime e afirmou que não mexeu em nada no local onde Gisele morreu. "Lógico que não", disse, acrescentando que a limpeza foi feita após a realização da perÃcia e que não haveria impedimento para isso.
O coronel disse também que foi sua mulher quem pediu que enviasse mensagens a um primo que havia comentado uma foto de Gisele em rede social. "Ela falava que ele era 'molecão'", afirmou.
Esse primo apresentou duas conversas à PolÃcia Civil. A primeira mostra mensagens encaminhadas por ele. A segunda, por sua vez, um pedido de desculpas de Gisele pelas ofensas enviadas pelo então marido.
Neto afirmou que tinha controle das redes sociais dela porque ela tinha acesso às dele. "O meu advogado está fazendo uma pasta com vários arquivos para entrar com ação por calúnia e difamação e uma ação civil por danos morais", disse o coronel, sem dar mais detalhes.
Policiais se dirigiram ao apartamento de Gisele a partir de um chamado de Geraldo, que disse durante a ligação ter ouvido um disparo de arma de fogo enquanto estava no banho.
O tenente-coronel disse à polÃcia que, quando saiu, encontrou a mulher já caÃda ao chão. Segundo ele, ela apresentava sangramento intenso e tinha nas mãos uma pistola.
A arma usada pertencia a Geraldo. Ele disse à polÃcia que guardava a pistola, que acabou apreendida, sobre o armário de seu quarto e que não havia trancado o cômodo naquele dia.
Gisele integrava a PM havia mais de dez anos e exercia função administrativa. Ela deixou uma filha de 7 anos de um relacionamento anterior.