Resumo objetivo:
A deputada Erika Hilton (Psol-SP) foi eleita presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, tornando-se a primeira mulher trans a presidir uma comissão no cargo. Sua eleição ocorreu em segundo turno, após uma primeira votação sem maioria absoluta e enfrentando resistência da oposição. Hilton destacou em seu discurso o compromisso com a pluralidade e o enfrentamento da violência patriarcal.
Principais tópicos abordados:
1. A eleição histórica de Erika Hilton, primeira mulher trans na presidência de uma comissão.
2. O processo conturbado da eleição, com tentativa de barramento e necessidade de segundo turno.
3. A reação política, incluindo a resistência de parlamentares da oposição e a defesa do acordo partidário.
4. O significado simbólico da eleição para a representatividade e a pauta das mulheres.
A deputada Erika Hilton (Psol-SP) foi eleita presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher nesta quarta-feira (11), apesar da tentativa da oposição de barrar a eleição da primeira mulher trans a presidir uma comissão. A deputada recebeu 11 votos favoráveis no segundo turno de votação e alcançou a maioria simples dos votos.
"Nós conseguimos extrapolar a barreira do ódio, a barreira do preconceito, a barreira da discriminação, a barreira da invisibilidade e da negação da própria identidade. E nós ao sentarmos nessa cadeira não faremos uma gestão sem se preocupar com a pluralidade da Câmara dos Deputados, com a importância da pauta das mulheres e com aquilo que é extremamente fundamental para fazer um enfrentamento à essa violência patriarcal misógina que tem acometido meninas e mulheres", afirmou a presidente eleita.
Na primeira tentativa de eleição, a chapa foi rejeitada. No primeiro turno, é exigido maioria absoluta, ou seja, metade dos votos mais um. Entretanto, a deputada recebeu 10 votos e 12 deputados votaram em branco. A votação foi secreta e registrada virtualmente.
Após a derrota em primeiro turno, a deputada Chris Tonietto (PL-RJ) argumentou que "sequer deveria haver um segundo escrutÃnio", porque a maioria rejeitaria a chapa, mas negou que estivesse tentando sabotar a eleição.
Apesar da resistência de parlamentares bolsonaristas, não houve proposição de chapa que competisse contra à indicada pelo Psol, já que as presidências de comissões foram repartidas entre os partidos por meio de acordo fechado ainda no inÃcio do ano.
A deputada Laura Carneiro (PSD-RJ), que também integra a chapa de Hilton, argumentou que as decisões partidárias de indicação devem ser respeitadas. "Esse é uma eleição absolutamente democrática, que foi decidida a partir das matizes partidárias de todas as legendas dessa casa".
O Psol já tinha a presidência da comissão. Erika Hilton substitui Célia Xakriabá (Psol-MG), que foi a primeira mulher indÃgena a assumir o posto e conduziu a eleição. à Folha, a deputada disse o partido estava tranquilo com a eleição, pois tinha os votos contados.
"A eleição de Erika Hilton hoje é um momento histórico para pensar inclusive essa lacuna do Brasil que ainda vê as mulheres como monoculturais", afirmou Xakriabá.