A deputada Erika Hilton e a vereadora Amanda Paschoal enviaram novas informações ao Ministério Público sobre o fechamento do centro comunitário São Martinho de Lima, destacando preocupação com o destino das mulheres trans e travestis atendidas no local. Elas argumentam que o centro oferece serviços diurnos essenciais, como alimentação e apoio psicossocial, que não seriam plenamente substituídos pelo abrigo noturno indicado pela prefeitura, o Arsenal da Esperança, voltado apenas para homens. Em resposta, a Secretaria Municipal de Assistência afirmou que a mudança é uma reorganização da rede e que a maioria dos frequentadores já tem vínculo com outros serviços, prometendo uma "escuta qualificada" para encaminhar o público trans.
Principais tópicos abordados:
1. A ação política e a investigação sobre o fechamento do centro comunitário.
2. A preocupação com o atendimento específico à população trans e travesti.
3. A divergência entre os serviços oferecidos pelo centro e pela rede alternativa da prefeitura.
4. A justificativa da prefeitura baseada em uma reorganização da rede assistencial.
A deputada federal Erika Hilton (PSOL) e a vereadora paulistana Amanda Paschoal (PSOL) enviaram ao Ministério Público de São Paulo novas informações sobre o centro comunitário São Martinho de Lima, na Mooca, zona leste da capital. O encerramento do espaço, fundado pelo padre Júlio Lancelotti, é alvo de investigação do órgão. O religioso não fazia mais parte da administração.
No documento, elas pedem atenção especial para o destino de mulheres trans e travestis atendidas no local, que distribui cerca de 450 refeições por dia. Segundo dados citados no ofÃcio, em janeiro o núcleo recebeu cerca de 250 mulheres, entre elas 36 pessoas trans.
Com o encerramento das atividades, elas questionam para onde essas pessoas serão encaminhadas. O principal local citado pela prefeitura como alternativa é o Arsenal da Esperança, que oferece acolhimento noturno, mas é voltado apenas a homens.
O ofÃcio também ressalta que o núcleo de convivência oferece serviços diferentes dos centros de acolhida, como alimentação diurna, atendimento psicossocial, atividades de convivência e espaço para higiene e lavagem de roupas. Na avaliação das autoras, substituir um modelo pelo outro pode deixar lacunas no atendimento.
Procurada pela coluna, a Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social afirmou que a mudança faz parte de uma reorganização da rede socioassistencial na região da Mooca e que não haverá interrupção no atendimento à população.
Segundo a pasta, levantamento técnico realizado pela Coordenação de Vigilância Socioassistencial em 6 de março indica que 80% das pessoas que frequentam o núcleo já possuem vÃnculo ativo ou vaga garantida em outros 74 serviços da rede municipal. A secretaria diz que a medida busca fortalecer o atendimento nos locais de referência desses usuários, evitando que precisem se deslocar pela cidade apenas para ter acesso a alimentação ou acompanhamento social.
No caso das mulheres trans e travestis, a gestão Nunes afirma que será feita uma "escuta qualificada" para definir encaminhamentos para serviços que respeitem a identidade de gênero desse público. A pasta também afirma que o núcleo de convivência tem caráter de atendimento de passagem e não substitui a proteção integral oferecida por vagas de acolhimento.
com DIEGO ALEJANDRO, JULLIA GOUVEIA e KARINA MATIAS