A Raízen entrou com pedido de recuperação judicial para reestruturar uma dívida de cerca de R$ 65 bilhões, com grandes bancos como BNP Paribas, Bradesco, Santander e Rabobank entre seus principais credores. A empresa, controlada pela Shell e Cosan, obteve 90 dias para negociar um plano de recuperação extrajudicial, que pode incluir aportes dos controladores, conversão de dívida em ações ou venda de ativos. A situação da empresa foi agravada por altas taxas de juros, safras ruins e investimentos que não geraram retorno esperado, levando a uma forte desvalorização de seus títulos e rebaixamento de seu rating.
Principais tópicos abordados:
1. O processo de recuperação judicial da Raízen e o montante da dívida.
2. A lista dos principais bancos credores e os valores expostos.
3. Os termos e possíveis medidas do plano de reestruturação extrajudicial.
4. As causas que levaram à crise financeira da empresa.
Os bancos Bradesco, BNP Paribas e Rabobank estão entre os maiores credores da RaÃzen, que entrou com pedido de recuperação judicial nessa terça-feira (10), para reestruturar cerca de US$ 12,6 bilhões (R$ 65 bilhões) em dÃvidas.
Documentos divulgados pela RaÃzen mostraram que o francês BNP tem a receber R$ 4,2 bilhões, de acordo com documentos da empresa divulgados na quarta-feira (11).
Os bancos Bradesco, Santander, Rabobank e Sumitomo Mitsui têm cerca de R$ 2 bilhões cada um a receber, enquanto o Itaú Unibanco tem exposição de mais de R$ 1 bilhão à empresa.
A RaÃzen, controlada pela Shell e pela Cosan, concordou em iniciar uma reestruturação extrajudicial de sua dÃvida bilionária, suspendendo pagamentos e tendo 90 dias para obter a adesão dos credores a um plano mais abrangente. Isso pode envolver aportes de capital adicionais de seus controladores, a conversão de parte da dÃvida em participação acionária ou a venda de ativos.
O agente fiduciário Bank of New York Mellon é citado nos documentos como credor do equivalente a aproximadamente R$ 26 bilhões, mostram os documentos.
A securitizadora True Securitizadora também está listada entre os maiores credores, com cerca de R$ 6,4 bilhões a receber. As securitizadoras são responsáveis pela estruturação de CRAs (Certificados de RecebÃveis do Agronegócio), uma classe de tÃtulos de renda fixa usados para financiar o setor que ajudou a impulsionar o boom agrÃcola do Brasil.
O Bradesco recusou-se a comentar e o Rabobank disse que não comenta transações de mercado. BNP, Santander, Sumitomo, Itaú Unibanco, True Securitizadora e BNY Mellon não responderam imediatamente aos pedidos de comentários.
Outrora a principal produtora de biocombustÃveis do Brasil, a RaÃzen foi prejudicada por altas taxas de juros, safras fracas e investimentos pesados que ainda não deram retorno.
O preço de seus tÃtulos denominados em dólar despencou para nÃveis que indicam que a empresa está em dificuldades. Seus ratings foram rebaixados profundamente para grau especulativo à medida que as preocupações com seu endividamento aumentaram e as negociações para um resgate por parte de seus principais acionistas se arrastaram.