O presidente iraniano Masoud Pezeshkian estabeleceu como condições para o fim da guerra o reconhecimento dos "direitos legítimos" do Irã (relacionados ao seu programa nuclear) e o pagamento de reparações pelos EUA e Israel, além de garantias internacionais contra agressões futuras. No entanto, essas condições são consideradas inviáveis, pois os países agressores exigem uma rendição incondicional e o abandono do programa nuclear iraniano. Paralelamente, Pezeshkian enfrenta um grave isolamento político interno, sendo enfraquecido pela ascensão do novo líder supremo, Mojtaba Khamenei, e pela oposição da Guarda Revolucionária, que mantém uma postura belicista.
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou nesta quarta-feira (11) que a guerra no Oriente Médio só irá acabar se forem reconhecidos os "direitos legÃtimos" do paÃs e houver "pagamento de reparações" à teocracia pelos danos causados pelo ataque iniciado há 12 dias pelos Estados Unidos e Israel.
Em uma postagem no X, Pezeshkian também pediu "garantias internacionais firmes contra futuras agressões". à a primeira vez que algum tipo de termo é colocado pelo iraniano para o encerramento da guerra.
O problema para ele é duplo. Primeiro, quem atacou não está interessado em termos que não sejam, nas palavras do presidente Donald Trump, rendição incondicional. Daà que indenizações e salvaguardas futuras parecem fora de propósito.
Um ponto que Pezeshkian cita indiretamente, os tais direitos legÃtimos, remete ao programa nuclear dos aiatolás âevitar que Teerã possa ter a bomba, algo que tecnicamente é possÃvel mas não estava no horizonte imediato, é um dos "casus belli" centrais tanto de Trump quanto do premiê Binyamin Netanyahu.
Logo, exceto que abra mão do programa e dos 441 kg de urânio enriquecido perto do nÃvel necessário para armamentos, e suficiente para até 15 bombas menos eficazes, o Irã não deverá tirar nada dos agressores.
Trump alterna ameaças de obliteração do regime com a promessa de uma guerra mais curta, visando apaziguar um pouco o mercado de petróleo em choque com o fechamento na prática do estreito por onde passa um quinto da produção mundial da commodity.
Mas coube, nesta quarta, ao Estado judeu dar uma previsão mais realista sobre o conflito. Segundo o ministro Israel Katz, da Defesa, a guerra continuará "sem qualquer limite de tempo".
O segundo problema, tão grande ou maior, é que Pezeshkian tem se isolado na chefia do paÃs. Ele integrou o triunvirato que comandou a sucessão do lÃder supremo Ali Khamenei, morto no primeiro dia da guerra, mas à sombra de uma figura muito mais poderosa: Ali Larijani, chefe do Conselho de Segurança do paÃs.
Ligado à Guarda Revolucionária, verdadeiro poder no Irã hoje, Larijani manobrou para ver o filho de Khamenei, Mojtaba, eleito por um colegiado de clérigos de forma rápida e aparentemente bastante opaca. O novo lÃder, que também é visto como da ala militar, não apareceu publicamente até aqui porque segundo o governo foi ferido ao lado do pai.
Pezeshkian ficou ainda mais escanteado quando, no sábado (8), véspera do anúncio da eleição de Mojtaba, pediu desculpas pelos ataques retaliatórios das forças iranianas contra paÃses árabes com bases americanas no golfo Pérsico.
Ele buscava uma abertura diplomática, mas foi rechaçado pelos próprios militares, que continuaram a lançar mÃsseis e drones por toda a região. Nesta quarta, antes da postagem de Pezeshkian no X, a Guarda Revolucionária disse em nota que lutará "até a sombra a guerra ser levantada" sobre o Irã.