A Comissão Europeia ameaçou retirar um subsídio de €2 milhões da Bienal de Veneza devido à decisão de permitir a participação russa no evento, considerando-a incompatível com a resposta da UE à guerra na Ucrânia. Um grupo de mais de 6 mil profissionais da arte e cultura assinou uma carta aberta pedindo a revisão dessa decisão, argumentando que a cultura não pode ser neutra diante do conflito. Autoridades ucranianas também criticaram a medida, acusando a Rússia de destruir patrimônio cultural ucraniano.
Principais tópicos abordados:
1. Ameaça de corte de financiamento europeu à Bienal de Veneza.
2. Críticas à participação russa por parte de artistas, acadêmicos e autoridades ucranianas.
3. O debate sobre a neutralidade da cultura versus o posicionamento político em conflitos.
A Comissão Europeia ameaçou retirar o financiamento destinado à Bienal de Veneza após o anúncio de que a Rússia voltará a participar do evento pela primeira vez desde a invasão da Ucrânia.
Em nota divulgada na terça-feira, o órgão afirmou que a decisão é incompatÃvel com a resposta coletiva da União Europeia à guerra e advertiu que pode suspender ou encerrar um subsÃdio de três anos concedido à fundação que organiza a mostra, no valor de â¬2 milhões (aproximadamente R$ 12.200 milhões).
Um grupo formado por mais de 6 mil artistas, curadores, acadêmicos, jornalistas e polÃticos também divulgou uma carta aberta pedindo que a organização da Bienal reveja a decisão de permitir a participação russa na próxima edição do evento.
O apelo foi publicado pelo movimento Arts Against Aggression International Movement poucos dias depois de a Bienal confirmar que o paÃs integrará a 61ª edição da mostra, que abre em 9 de maio.
No comunicado oficial, a fundação responsável pela Bienal afirmou que a instituição é "aberta" e rejeita qualquer forma de exclusão ou censura à arte.
No texto, os signatários questionam o argumento de que eventos culturais devem se manter neutros diante de conflitos polÃticos. Para eles, a ideia de que a cultura estaria acima da polÃtica pode ser usada para legitimar ações de Estado e suavizar responsabilidades em meio à guerra na Ucrânia.
Autoridades ucranianas também criticaram a decisão. Em declaração conjunta, o ministro das Relações Exteriores, Andriy Sybiha, e a ministra da Cultura, Tetyana Berezhna, afirmaram que a Bienal não deveria servir como espaço de normalização para um paÃs acusado de destruir patrimônio cultural e atacar a identidade ucraniana.
O Ministério da Cultura da Itália afirmou que a decisão foi tomada de forma independente pela organização do evento, apesar de o governo italiano se posicionar contra o retorno russo.