Resumo objetivo:
O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, defendeu uma maior integração regional para superar o que chamou de duas décadas de isolamento do país. Ele propôs que a Bolívia, consolidando-se no Mercosul, atue como uma ponte logística, conectando o Brasil aos portos do Pacífico e o Chile ao litoral brasileiro. Paz também afirmou a intenção de mudar o papel do país na região, combatendo o narcotráfico e o financiamento ilícito.
Principais tópicos abordados:
1. Integração regional e fim do isolamento: Defesa de maior aproximação com Brasil e países vizinhos, rompendo com a política das últimas duas décadas.
2. Papel logístico da Bolívia: Proposta de usar o país como corredor de conexão entre o Brasil (e o Mercosul) e os portos do Pacífico no Chile.
3. Consolidação no Mercosul: Interesse em fortalecer a posição boliviana no bloco econômico.
4. Nova agenda regional: Compromisso com o combate ao narcotráfico, terrorismo e financiamento ilícito, alterando a postura internacional do país.
5. Contexto político: Alinhamento de Paz com outros líderes latino-americanos de perfil conservador e sua ausência em eventos com a presença de adversários políticos domésticos.
O presidente da BolÃvia, Rodrigo Paz, defendeu uma maior integração com o Brasil e os outros paÃses da região, para romper o que chamou de duas décadas de isolamento boliviano --em referência ao perÃodo no poder do MAS (Movimento ao Socialismo), de Evo Morales, encerrado com ele.
Paz, que ainda não havia falado a um jornal brasileiro, foi um dos convidados para a posse do novo presidente chileno, José Antonio Kast, que ocorreu nesta quarta-feira (11) em ValparaÃso.
Segundo o presidente da BolÃvia, que ganhou as eleições no ano passado, o paÃs vizinho pode ser um parceiro ainda mais importante para o Brasil, consolidando a sua entrada definitiva no Mercosul.
"Na reunião no Panamá, ofereci os portos [fluviais] bolivianos ao vasto mar que é o Brasil, porque, em última análise, o que nos interessa é o desenvolvimento de nossas nações, e à medida que avançamos, os cenários melhorarão", disse em conversa com a imprensa durante o evento de posse.
"Além do bom relacionamento, sentar à mesa não significa perder nossa identidade. Mas, uma vez sentados à mesa, um novo processo começa. Nossas nações merecem um futuro melhor", afirmou o boliviano ao reforçar que o paÃs andino poderia ser uma ponte para conectar os chilenos ao Mercosul, e o Brasil aos portos da Ãsia.
Ele também disse que pretende mudar o papel da BolÃvia na região, superando "interesses que já contribuÃram para o isolamento do paÃs por 20 anos" e combatendo o narcotráfico, o terrorismo e o financiamento ilÃcito de polÃticos.
Ao lado do argentino Javier Milei, do próprio Kast e de outros lÃderes da América Latina, Paz participou de encontro de presidentes da região que têm simpatia por Donald Trump, durante uma cúpula em Miami. Lula não participou, assim como também faltou à posse de Kast depois que o chileno convidou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seu provável adversário nas eleições.
"A lógica da BolÃvia é se tornar um importante integrador com suas cinco fronteiras", disse Paz na saÃda do Congresso chileno. "E o Chile precisa de acesso ao extenso litoral brasileiro, enquanto o Brasil precisa de acesso ao vasto oceano PacÃfico."