O presidente Donald Trump afirmou que convidou os líderes do Brasil, Colômbia e México para o evento "Escudo das Américas", mas fontes confirmaram que o presidente Lula não recebeu convite. A exclusão ocorre em um contexto de possível designação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas pelos EUA, o que contraria os esforços do governo brasileiro. Além disso, uma possível visita de Lula a Washington, anteriormente em discussão, tornou-se incerta devido ao foco americano no conflito no Oriente Médio.
Principais tópicos abordados:
1. A negação do convite a Lula para o evento "Escudo das Américas" e a contradição nas declarações.
2. O contexto da possível designação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos EUA.
3. A incerteza sobre um futuro encontro bilateral entre Trump e Lula, afetado pela guerra contra o Irã.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi questionado antes de embarcar no avião presidencial nesta quarta-feira (11) sobre o motivo de não ter convidado os presidentes do Brasil, Colômbia e México para o evento batizado de "Escudo das Américas", que reuniu presidentes da direita da América Latina.
Em resposta, ele disse: "Eu acho que eles foram [convidados], eu me dou bem com todos eles", disse o americano. A Folha apurou com representantes do Brasil e dos EUA que Lula (PT) não foi convidado.
Antes do evento, um funcionário da Casa Branca afirmou à reportagem que o presidente Trump convidou lÃderes "de paÃses que trabalham próximos a nós no combate ao tráfico de drogas e outras questões". "Esperamos que essa coalizão se expanda no futuro."
A afirmação de Trump acontece, como mostrou uma reportagem do UOL, em meio à possibilidade do Departamento do Estado estar prestes a definir as facções PPC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) como terroristas, o que seria um revés para o governo Lula, que trabalha para tentar reverter esta decisão.
Apesar das diferenças ideológicas, Trump costuma falar que se dá bem com Lula e outros presidentes de esquerda nas Américas. Horas antes de bombardear o Irã, ele foi questionado quando receberia o brasileiro na Casa Branca, mas não respondeu a pergunta e disse apenas que "adoraria recebê-lo" e que "gosta muito" do presidente.
Nas últimas semanas, o presidente Lula falou diversas vezes que gostaria de se encontrar com o presidente Trump para discutir, principalmente, questões ligadas ao crime organizado. No ano passado, foi encaminhado ao Departamento do Estado uma proposta para os paÃses trabalharem de forma conjunta no combate à s facções.
Agora, com o inÃcio da guerra contra o Irã, a Folha apurou que a visita do presidente a Washington já não é mais uma certeza. Antes, diplomatas falavam na possibilidade de uma data em março âmas, com o foco no Oriente Médio, já admitem que o encontro pode ficar para depois ou até não acontecer.