O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, negou a necessidade de aumento no preço da gasolina no Brasil, atribuindo pressões do setor a "especulação criminosa" e ameaçando acionar órgãos de defesa do consumidor e a Polícia Federal contra distribuidoras e revendedores. Ele argumentou que o Brasil, por ser exportador de petróleo, tem condições de manter a estabilidade dos preços, mesmo em um cenário internacional de tensão geopolítica e alta nos preços do barril. Paralelamente, postos e entidades do setor pressionam por reajustes devido à redução da margem de lucro causada pela defasagem entre os preços nacional e internacional.
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, negou haver necessidade de elevar o preço da gasolina no Brasil em razão da guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã e ameaçou multar e acionar a PolÃcia Federal (PF) contra distribuidoras e revendedoras que aumentem o valor cobrado por combustÃveis.
"à naturalmente um momento de apreensão do mundo inteiro, não só do Brasil, porque nós vivemos um caos geopolÃtico, mas não tem risco ao abastecimento [de combustÃvel] e, muito pelo contrário, há toda condição de se manter o preço dos combustÃveis", disse nesta quarta-feira (11) a jornalistas.
Nos últimos dias, entidades do setor pressionaram o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a Petrobras a reajustar o preço dos combustÃveis.
Silveira disse que são abusos cometidos por distribuidoras e revendedoras de combustÃvel, e que vai acionar a Senacon (Secretaria Nacional do Consumidor), a ANP (Agência Nacional de Petróleo e Gás), o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) e a PF contra esse tipo de situação.
"O que há é uma criminosa especulação por parte dessas distribuidoras e dos revendedores. Por isso, nós vamos aplicar as multas devidas, vamos fiscalizar, vamos fazer operações", disse.
Ele lembrou que o Brasil é um paÃs exportador de petróleo (produz mais do que consome) e importa apenas uma parte do diesel e da gasolina que usa.
Nesta quarta, o Irã atacou mais três navios no golfo Pérsico e voltou a enfatizar que pretende manter fechado o estreito de Hormuz, por onde passa 20% do petróleo mundial. "Se preparem para o petróleo a US$ 200 o barril", disse o porta-voz militar iraniano Ebrahim Zolfaqari.
Nesta quarta, o preço do petróleo âo barril Brent, o referencial do mercadoâ iniciou o dia em queda, mas depois subiu 6%.
Em resposta a alta dos preços, a AIE (Agência Internacional de Energia) anunciou a liberação de 400 milhões de barris no mercado, em um movimento inédito em sua história.
A postura da Petrobras até aqui, que detém o controle majoritário do produto no paÃs, é de tratar o aumento como uma volatilidade de momento, mas ainda incipiente para levar a decisão de aumentar o valor comercializado no mercado.
O mesmo é avaliado por integrantes do governo, que lembram que subir o preço da gasolina é uma medida impopular e que deve ser tratada com cautela diante do crescimento de Flávio Bolsonaro (PL) na corrida contra Lula para as eleições de 2026.
A alta do preço, porém, vem aumentando a defasagem do preço da gasolina e do diesel no mercado internacional com relação ao nacional âou seja, reduzindo a margem de lucro para o mercado interno e beneficiando a exportação.
Por isso, postos de combustÃveis e entidades do setor vêm pressionando a Petrobras e já anunciam aumento no valor cobrado pelos dois combustÃveis nas bombas, o que encarece o custo para o consumidor.