Com o início da guerra no Irã, a plataforma X (antigo Twitter) enfrenta uma onda massiva de desinformação, incluindo conteúdos manipulados e gerados por IA que distorcem os fatos do conflito e alcançam milhões de visualizações. Em resposta, o X anunciou a suspensão da monetização e punições para criadores que não identificarem vídeos falsos sobre guerras gerados por inteligência artificial. A plataforma, já criticada por afrouxar a moderação desde a aquisição por Elon Musk, teve sua IA integrada, Grok, verificando como verdadeiro um vídeo falso, o que ilustra a gravidade do problema.
Principais tópicos abordados:
1. Proliferação de desinformação (especialmente gerada por IA) sobre a guerra no Irã no X.
2. Nova política da plataforma para punir e desmonetizar vídeos falsos não identificados.
3. Críticas ao histórico de moderação do X e os desafios de combater conteúdos enganosos.
4. Exemplos concretos de conteúdos falsos que viralizaram e seu impacto na narrativa do conflito.
Com o inÃcio da Guerra no Irã, usuários do X (antigo Twitter) têm se queixado da proliferação de conteúdos enganosos sobre o conflito, muitos deles gerados por inteligência artificial. A rede social foi tomada por imagens e vÃdeos manipulados que exageram danos de ataques, mÃdias antigas reaproveitadas e boatos sobre a morte de lideranças.
Vários desses conteúdos foram disseminados por contas com o selo azul (de assinantes do serviço premium), acumulam milhões de visualizações e continuam circulando mesmo com as notas de comunidade, o sistema de checagem feito pelos próprios usuários.
Em resposta à onda, o X decidiu endurecer sua polÃtica e anunciou, na última terça-feira (3), que deve suspender a monetização de vÃdeos falsos sobre guerras que não sinalizarem que foram gerados por IA. Criadores serão punidos por 90 dias no programa de compartilhamento de receita da empresa caso não indiquem de alguma forma o uso das tecnologias e, em caso de reincidência, serão excluÃdos de forma permanente, segundo o anúncio.
O chefe de produtos do X, Nikita Bier, diz que a plataforma trabalha para ser mais confiável nesses "momentos crÃticos" e que as tecnologias atuais de IAs banalizaram conteúdos que enganam as pessoas. "Em tempos de guerra, é crucial que as pessoas tenham acesso a informações autênticas no terreno", afirma.
A rede social foi procurada, mas não respondeu à coluna. O O X é alvo de crÃticas por desmontar equipes de moderação de conteúdo e afrouxar diretrizes desde sua aquisição por Elon Musk em 2022. Em dezembro de 2025, foi multada em 20 milhões de euros (R$ 742,4 milhões) pelo órgão regulador da União Europeia por não cumprir exigências sobre conteúdos ilegais e prejudiciais.
No inÃcio do ano, passou a ser alvo de uma série de inquéritos de autoridades globais depois que milhares de imagens sexualizadas de mulheres e crianças foram geradas pelo Grok, a IA integrada à rede.
Virais e fakes
Uma análise da organização NewsGuard aponta que a desinformação no X favoreceu o Irã nos primeiros dias de conflito, graças a uma rede de contas pró-regime que obteve amplo alcance com conteúdos manipulados.
Com dados coletados até dois de março âportanto três dias após o inÃcio das hostilidadesâ, o levantamento argumenta que "três vÃdeos e imagens enganosos analisados geraram mais de 21,9 milhões de visualizações no X", sugerindo "falsamente que o Irã está vencendo o conflito".
Um vÃdeo gerado por IA que mostra um suposto ataque iraniano com mÃsseis à Tel Aviv, em Israel, alcançou 4 milhões de visualizações. O conteúdo recebeu uma nota da comunidade como enganoso, mas foi verificado como verdadeiro pelo Grok, após ser acionado por um internauta.
Uma imagem aérea publicada pela página Tehran Times, alinhada ao regime iraniano, mostrava de forma enganosa a destruição de um sistema de radares americanos no Qatar após um ataque de drones do Irã. Segundo checagem da BBC, a imagem foi alterada a partir de uma foto de 2025 de outra base americana localizada no Bahrein.
Uma foto compartilhada pelo congressista queniano Peter Salasya mostrava supostamente o porta-aviões USS Abraham Lincoln afundando após um bombardeiro iraniano. Segundo a NewsGuard, a imagem tirada de seu contexto original chegou a 5 milhões de visualizações e circulou após um ataque real do Irã â que não chegou a atingir o navio. A foto original é do porta-aviões USS Oriskany, segundo a organização, que foi afundado de forma controlada em 2006 no Golfo do México.
Circulou ainda uma imagem falsa do corpo do lÃder supremo do Irã, Ali Khamenei, que estaria sob escombros após bombardeio dos Estados Unidos e Israel que o vitimou. Não há, porém, registros públicos do religioso após sua morte. Benjamin Netanyahu, outra liderança envolvida no conflito, também foi dado como morto após uma onda de boatos sobre um ataque à sua residência.
Usuários no X protestam. "Ei, Elon Musk, Lembra quando esse era um site legÃtimo, onde você realmente conseguia notÃcias em tempo real de fontes verificadas?", escreveu um deles.
"Esse conflito deve nos lembrar o quão inútil o Twitter se tornou como ferramenta de informação precisa", reclamou outro.
"O Twitter está praticamente inutilizável para notÃcias. Metade dos vÃdeos é gerado por IA e a maioria das contas impulsionadas é agregadora que quer ganhar dinheiro", descreveu ainda outro internauta.