Resumo objetivo:
O governador Tarcísio de Freitas vê como uma oportunidade a possível classificação do PCC e do CV como organizações terroristas pelos EUA, argumentando que isso facilitaria cooperação em inteligência e recursos para o combate ao crime. No entanto, o governo Lula resiste à proposta, temendo que ela abra brecha para intervenções americanas no Brasil e cause impactos negativos na economia e na imagem internacional do país.
Principais tópicos abordados:
1. A posição favorável de Tarcísio de Freitas à classificação das facções como terroristas.
2. A resistência do governo Lula à proposta americana e os riscos percebidos (intervenção externa, exploração política e danos econômicos).
3. O debate nos EUA sobre a medida e as preocupações com possíveis consequências para o Brasil, incluindo o sistema de pagamentos Pix.
4. O contexto político interno, com menção a atores como Eduardo Bolsonaro e a tramitação de projetos de lei relacionados.
O governador TarcÃsio de Freitas (Republicanos) classificou como uma oportunidade a possibilidade de os Estados Unidos classificarem as facções criminosas PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho como organizações terroristas.
"A gente enxerga isso como uma oportunidade. A partir do momento que um governo como o dos Estados Unidos encara o PCC como organização terrerorista, e é de fato o que eles são, fica mais fácil, fica aberta a cooperação para que a gente possa integrar inteligência, para que a gente possa trazer recursos financeiros, para que a gente possa fazer um combate ainda mais efetivo", afirmou TarcÃsio.
A frase foi dita a jornalistas na tarde desta terça-feira (11) durante um evento no centro de controle operacional do Metrô.
TarcÃsio terminou a entrevista e não explicou como poderia ser feita essa cooperação.
Em nota divulgada nesta terça (10), a gestão Donald Trump afirmou que considera que os dois grupos brasileiros são ameaças significativas à segurança regional devido ao seu envolvimento com o tráfico de drogas, a violência e o crime transnacional. De acordo com uma reportagem do UOL, Washington já decidiu classificar as facções como terroristas.
Pessoas que acompanham o tema falam em diversos riscos na mudança de classificação, entre eles o potencial de afetar a economia e a competitividade do Brasil no cenário internacional.
A definição do que é terrorismo varia em cada paÃs. A versão mais aceita é a que o classifica como uma ação violenta deliberada contra civis que têm por objetivo intimidar a população ou o governo, normalmente em associação a uma causa polÃtica e/ou religiosa.
Como mostrou a Folha, desde segunda-feira (9), o presidente Lula (PT) se dedica a reuniões em busca de uma alternativa à proposta americana, que, segundo aliados do petista, abriria brecha legal para intervenções dos EUA em território brasileiro. O governo teme ainda a exploração polÃtica dos bolsonaristas e tenta traçar uma estratégia de comunicação para explicar por que resiste à ideia.
Entre as opções oferecidas pelo Brasil está a criação de uma cooperação na área do crime organizado. Integrantes do governo Trump, porém, avaliam que isso não é suficiente e que Lula atua para proteger as facções, segundo um conselheiro do presidente americano disse à Folha.
A discussão nos EUA sobre designar as duas organizações como terroristas ocorre desde o ano passado. Uma ala no Departamento de Estado, órgão análogo ao Ministério das Relações Exteriores, defende dar essa classificação às facções nos moldes do que fizeram com outros grupos da América Latina, como o Cartel de Jalisco, no México.
Esse debate foi impulsionado nos EUA com a atuação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL) em 2025.
Uma das preocupações está no interesse do presidente dos EUA nas transações financeiras feitas por Pix. Há quem tema uma tentativa americana de controle dessas operações, sob o argumento de que são usadas pelo crime organizado.
Empresas de cartão de crédito dos EUA são crÃticas da ferramenta de pagamento desenvolvido pelo Banco Central.
Em novembro passado, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), barrou de ofÃcio a proposta de equiparar fações criminosas ao terrorismo. A medida foi anunciada em plenário durante a discussão do PL Antifacção.
O deputado federal Guilherme Derrite (PP-SP), ex-secretário de Segurança Pública de São Paulo e um dos homens fortes do governo TarcÃsio, era o relator do projeto.