Resumo objetivo:
O aumento das tensões no Oriente Médio e o fechamento do Estreito de Ormuz elevaram bruscamente o preço internacional do petróleo, pressionando os custos dos combustíveis globalmente. No entanto, o Ineep avalia que a Petrobras, devido a seu desempenho financeiro robusto e produção recorde, tem condições de amortecer esse impacto no mercado interno, contendo os repasses aos preços da gasolina e do diesel. O instituto defende o papel estratégico da estatal como barreira contra pressões inflacionárias, embora a volatilidade internacional exija monitoramento constante.
Principais tópicos abordados:
1. Impacto da guerra no Oriente Médio nos preços internacionais do petróleo.
2. Capacidade da Petrobras em absorver parte da pressão de custos para proteger o mercado brasileiro.
3. Análise do comportamento dos preços dos combustíveis no Brasil diante da crise global.
4. Recomendações sobre políticas de proteção do mercado interno e o papel regulador da estatal.
A escalada da guerra no Oriente Médio voltou a pressionar o mercado internacional de petróleo e acendeu o alerta sobre possíveis reajustes nos combustíveis no Brasil. Para o Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), porém, a Petrobras tem condições de conter esse impacto no mercado interno.
Em boletim divulgado nesta quarta-feira (11), o instituto sustenta que a estatal reúne margem para amortecer a pressão externa sobre gasolina e diesel. O boletim destaca que a Petrobras registrou produção recorde e aumento de 200% no lucro líquido em 2025 e, por isso, “tem condições de amortecer, ao menos momentaneamente, os impactos desse cenário global adverso”.
A pressão cresceu após o fechamento do Estreito de Ormuz, rota estratégica para a circulação de petróleo e gás no mundo com a forte oscilação do petróleo Brent, referência internacional de precificação do combustível. O barril que custava US$ 72 em 27 de fevereiro, já com alta acima de 10% acumulada no ano, saltou para quase US$ 120 no domingo (8), representando um aumento de 66% desde os ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã. Na segunda-feira (9), a cotação voltou a ficar abaixo de US$ 100, mas seguiu em patamar elevado.
No mercado brasileiro, porém, esse movimento ainda não havia sido repassado “com a mesma intensidade” aos combustíveis até fevereiro, de acordo com o instituto. O boletim observa que diesel e gás de cozinha subiram em janeiro e tiveram pequenos recuos no mês seguinte, enquanto a gasolina registrou queda após reajuste nas refinarias da Petrobras.
Para o Ineep, a conjuntura internacional reforça a necessidade de preservar instrumentos de proteção do mercado interno. “Nesse sentido, a Petrobras desempenha um papel estratégico fundamental, podendo ser utilizada como instrumento para mitigar pressões inflacionárias provenientes dos combustíveis”, afirma o boletim.
O instituto acrescenta que, mesmo sem atuação no setor de distribuição, a empresa ainda pode funcionar como barreira de contenção. Segundo o texto, “é possível manter os preços nas refinarias e evitar a transmissão imediata dessas altas aos preços finais”, reduzindo o impacto da guerra sobre o consumidor brasileiro.
O documento também chama atenção para a decisão da Agência Internacional de Energia de liberar 400 milhões de barris de reservas de emergência, numa tentativa de conter a escalada dos preços. Para o instituto, a medida pode aliviar parte da pressão no curto prazo, mas não elimina os riscos de novos aumentos caso a guerra se prolongue.
Nesta terça-feira (10), o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o governo acompanha os desdobramentos da guerra e trabalha com diferentes cenários antes de adotar qualquer medida. Segundo ele, a orientação do Planalto é evitar decisões precipitadas diante da volatilidade do mercado internacional.