Resumo objetivo:
A fila recorde de pedidos do INSS representa um risco eleitoral para o presidente Lula, podendo tirar votos em uma possível disputa acirrada contra Flávio Bolsonaro. O problema, maior em tamanho do que no governo anterior, também pressiona as contas públicas, pois reduzir a fila agora exigirá mais recursos para pagar os benefícios. O tema deve ser explorado politicamente pelos adversários, que usarão imagens de beneficiários insatisfeitos.
Principais tópicos abordados:
1. Impacto eleitoral: A fila do INSS como um problema político que pode prejudicar a reeleição de Lula.
2. Dimensão do problema: O volume recorde de pedidos represados e a comparação com o governo Bolsonaro.
3. Consequências orçamentárias: O dilema entre reduzir a fila (aumentando gastos) e controlar o déficit público.
4. Exploração política: O uso do tema pela oposição na campanha eleitoral.
A fila represada do INSS é dor de cabeça eleitoral para Lula. No momento em que o senador Flávio Bolsonaro (PL) avança nas pesquisas e empata tecnicamente com o petista no segundo turno, a necessidade de reduzi-la passa a ser urgente para o presidente ainda neste primeiro semestre.
Esse é o caso em que o processo de normalização do fluxo de pedidos não tem potencial para garantir sozinho ganhos elevados de popularidade. Mas a permanência da fila em nÃveis recordes pode tirar votos de Lula numa disputa eleitoral acirrada.
Imagens de velhinhos e doentes reclamando do INSS são um prato cheio para adversários polÃticos de candidatos que estão no governo e buscam a reeleição.
Na guerra de números e comparações que alimentam as narrativas das campanhas eleitorais, Lula (pelos números oficiais) perde para o ex-presidente Jair Bolsonaro, com o recorde de 3,07 milhões de pedidos represados, alcançados no inÃcio de janeiro deste ano. A fila é grande e não priorizou os casos mais graves.
Assim como Lula, Bolsonaro enfrentou uma crise crônica no INSS. Era o primeiro ano do seu governo, quando o auge da fila aconteceu em julho, com 2,5 milhões de pedidos dos segurados esperando resposta do órgão.
O então secretário de Previdência do Ministério da Economia, Rogério Marinho, demitiu o presidente do INSS, Renato Vieira, meses depois, em janeiro de 2020. Marinho é hoje senador e coordenador da pré-campanha presidencial do filho de Bolsonaro. Ele conhece o assunto e vai explorar o problema na campanha. A fila é maior em tamanho, mas também um problema para as contas públicas. Até aqui, o represamento ajudou a diminuir o déficit de Fernando Haddad.
A partir de agora, reduzir a fila em velocidade maior, como cobra Lula, exigirá dinheiro para pagar os benefÃcios num cenário com menos espaço para acelerar a liberação de emendas parlamentares até a campanha eleitoral.
O presidente e sua equipe econômica terão de lidar com a fila e as fraudes na concessão de benefÃcios, que seguem em trajetória insustentável.