A advogada argentina Agostina Páez, ré por injúria racial no Rio de Janeiro, publicou um vídeo pedindo desculpas públicas e admitindo pela primeira vez que cometeu um erro racista contra funcionários de um bar. Ela responde a processo por crime equiparado ao racismo, cumpre prisão domiciliar e sua nova defesa, agora brasileira, pretende solicitar que ela responda ao processo da Argentina. A estratégia mudou após a troca de advogados, com a defesa alegando que a permanência forçada no Brasil é uma punição desproporcional antes do julgamento.
Principais tópicos abordados:
1. Admissão de culpa e pedido de desculpas públicas pela conduta racista.
2. Andamento processual penal (inquérito em segredo de justiça, prisão domiciliar).
3. Mudança na estratégia de defesa e pedido para responder ao processo da Argentina.
4. Contexto do crime de injúria racial e a equiparação legal ao racismo no Brasil.
A advogada argentina Agostina Páez, 29, ré sob acusação de injúria racial no Rio de Janeiro, publicou nesta quarta-feira (11) um vÃdeo em suas redes sociais em que pede desculpas publicamente e admite pela primeira vez ter cometido um erro ao agir de forma racista contra funcionários de um bar em Ipanema, na zona sul da cidade.
No vÃdeo, Páez afirma que decidiu se pronunciar após trocar de equipe de defesa. Até recentemente, ela era representada pelo advogado argentino Ezequiel Roitman. Agora, sua defesa passou a ser conduzida pela advogada brasileira Carla Junqueira.
"Sei que não cometi um pequeno erro. Minha reação foi muito grave. Assumo minha responsabilidade e estou pagando as consequências disso", disse. "Peço desculpas do fundo do meu coração a todas as pessoas que se sentiram ofendidas, feridas ou humilhadas pela minha atitude."
A argentina também afirmou que, antes do episódio, não tinha compreensão sobre o significado do racismo. "Por ignorância, eu não entendia o que era o racismo. Agora, estudando, ouvindo e aprendendo, entendo como isso é doloroso. Não é uma simples ofensa, é algo violento para as pessoas que sofrem com isso", afirmou.
O caso ocorreu em janeiro. VÃdeo gravado por câmera de segurança mostra a advogada chamando uma funcionária de "mono" ("macaco", em espanhol) e fazendo gestos que imitavam o animal para funcionários de um bar em Ipanema.
Na época, a defesa negava que os gestos tivessem caráter racista e sustentava que a reação teria sido dirigida a amigas da própria argentina como uma brincadeira. A versão foi contestada pelo Ministério Público.
Páez responde a processo por injúria racial. Pela legislação brasileira, desde 2023 o crime foi equiparado ao racismo e passou a ter pena de dois a cinco anos de prisão.
Ela cumpre prisão domiciliar, com uso de tornozeleira eletrônica, além de estar proibida de deixar o Brasil enquanto responde ao processo. O Tribunal de Justiça informou que a ação está em segredo de Justiça.
Em entrevista publicada nesta quarta pelo jornal argentino La Nación, a advogada também disse reconhecer o erro. "Cometi um erro, mas aprendi com ele. Reagi de forma errada, deixando a raiva me dominar, e estou pagando o preço. Peço desculpas a todos que possam ter se sentido ofendidos", afirmou.
Segundo o jornal, a mudança de estratégia ocorreu após uma reunião entre Páez e a nova advogada no Rio de Janeiro.
A advogada Carla Junqueira afirmou à Folha que a defesa pretende pedir que Páez possa responder ao processo penal estando na Argentina.
"Há vários precedentes no Brasil que permitem que um réu responda ao processo desde o seu paÃs de origem. Inclusive casos envolvendo argentinos, como o torcedor do Lanús e as quatro jogadoras do River Plate", disse.
As atletas do River foram presas em dezembro de 2024 durante a Brasil Ladies Cup, em São Paulo, após imitarem macacos em direção a gandulas durante uma partida contra o Grêmio. Elas foram libertadas posteriormente e retornaram à Argentina.
Segundo Junqueira, a defesa também mantém contato com autoridades consulares para tentar viabilizar a transferência. "Estamos em contato com autoridades consulares e governamentais para tentar viabilizar que ela responda ao processo na Argentina", afirmou.
A advogada disse ainda que manter Páez no Brasil nas atuais condições seria desproporcional. Segundo ela, a argentina está sem recursos financeiros e relata receber ameaças de morte. Para a defesa, obrigá-la a permanecer no paÃs enquanto responde ao processo acaba funcionando, na prática, como uma punição antes do julgamento e desconsidera sua situação de vulnerabilidade.