Um estudo do Instituto Potsdam atestou com alta precisão que o aquecimento global acelerou, passando de 0,2°C para 0,35°C por década a partir de 2014, o que fará com que a meta do Acordo de Paris seja descumprida antes de 2030. A pesquisa identificou que, além dos gases de efeito estufa como o CO2, o metano — um gás muito mais potente e com emissões em crescimento — é um fator crítico, assim como a redução da poluição do ar, que antes ajudava a resfriar o planeta. O artigo destaca ainda que, no Brasil, as emissões de metano vêm aumentando, impulsionadas principalmente pelo agronegócio.
Principais tópicos abordados:
1. Aceleração comprovada do aquecimento global.
2. Fatores que impulsionam a aceleração (redução da poluição do ar e aumento das emissões de metano).
3. Impossibilidade de cumprir a meta do Acordo de Paris no ritmo atual.
4. Dados específicos sobre o crescimento das emissões de metano, com foco no Brasil.
Já é consenso no campo cientÃfico que a temperatura atmosférica do planeta está em alta desde o perÃodo pré-industrial. Mas pela primeira vez, segundo especialistas, uma pesquisa consegue atestar com alto grau de precisão que o aquecimento global passou a avançar de forma mais acelerada.
Segundo o estudo realizado pelo alemão Instituto Potsdam para Pesquisa do Impacto Climático, publicado na última sexta (6), o ritmo de elevação da temperatura da Terra, que desde 1970 se mantinha estável em cerca de 0,2ºC por década, saltou para 0,35º a partir de 2014.
Nessa toada, a meta do Acordo de Paris âmanter a alta da temperatura média global abaixo de 2°C até 2100, preferencialmente abaixo de 1,5ºC, em relação ao perÃodo pré-industrialâ será descumprida até 2030.
Os alemães aumentaram a precisão ao remover fatores de alteração de curto prazo, como o fenômeno El Niño, erupções vulcânicas e variações solares.
Ao excluir essas flutuações, a taxa de aceleração verificada na pesquisa (0,35°C) não se deve a picos nos termômetros em alguns anos, mas a uma tendência disparada na década passada.
Entre as causas, especialistas apontam para regras mais rÃgidas contra a poluição do ar. As partÃculas de poluição, prejudiciais à saúde, funcionam como barreiras que refletem a luz solar, o que ajuda a resfriar o planeta.
O outro fator amplamente conhecido são os gases de efeito estufa. Muito se fala sobre o dióxido de carbono, que de fato representa 75% desses gases. Mas é preciso dar maior atenção à contenção das emissões de metano.
Isso porque este gás é 80% mais potente do que o CO2 e se mantém por cerca de 20 anos na atmosfera, enquanto o dióxido de carbono permanece por séculos.
Na COP26, em 2021, 103 paÃses assinaram o Pacto Global de Metano, que prevê a o corte de 30% nas emissões do gás até 2030.
Mas os números só crescem. A Agência Internacional de Energia estima 580 milhões de toneladas (Mt) de metano liberadas em 2020 e 610 Mt em 2024, sendo que 60% vêm de atividade humana. No Brasil, um dos signatários, as emissões de metano entre 2020 e 2023 subiram 6%, chegando a 21,1 Mt, com o agronegócio responsável por 75% do total, segundo a rede nacional de pesquisa Observatório do Clima.
Governos precisam direcionar esforços para ações estratégicas de combate de curto prazo, que mirem a velocidade dos termômetros âsem, por óbvio, esquecer de medidas mais duradouras, como a redução de CO2.