Resumo objetivo:
O conflito entre EUA/Israel e Irã entrou em seu 13º dia com uma escalada de violência, apesar da declaração anterior do presidente Trump sobre seu fim. O Irã, incapaz de vencer militarmente, concentra-se em ataques a petroleiros e instalações petrolíferas no Golfo para desestabilizar o mercado de energia e pressionar economicamente os EUA, elevando o preço do barril de petróleo acima de US$ 100. Em resposta, EUA e Israel intensificaram bombardeios a alvos militares iranianos e a posições do Hezbollah no Líbano, respectivamente.
Principais tópicos abordados:
1. Escalada do conflito militar: Ataques aéreos dos EUA contra infraestrutura iraniana e nova onda de bombardeios de Israel no Líbano.
2. Estratégia de pressão econômica do Irã: Ataques a navios e instalações petrolíferas no Golfo Pérsico para disruptar o tráfego marítimo e elevar os preços do petróleo.
3. Impacto humanitário e custo da guerra: Números crescentes de mortos e deslocados, principalmente no Irã e no Líbano.
4. Dinâmica regional: Ataques coordenados do Irã e do Hezbollah contra Israel e a retaliação correspondente.
Um dia depois de o presidente Donald Trump dizer que "na primeira hora, a guerra já tinha acabado", o conflito iniciado pelos Estados Unidos e Israel no Oriente Médio chegou a seu 13º dia nesta quinta-feira (12) com uma escalada em sua violência.
O Irã, atacado no dia 28 de fevereiro por americanos e israelenses, ampliou ações visando criar o caos no setor de petróleo âo barril chegou aos US$ 100 novamente. Sem condições de triunfar militarmente, Teerã aposta em resistir e gerar pressão econômica sobre Trump.
Já os EUA apertaram o torniquete sobre o regime teocrático fazendo ataques com bombas destruidoras de bunkers durante a noite. E Israel lançou uma nova onda grande de bombardeios no LÃbano, prometendo vingança pela maior ação até aqui do grupo Hezbollah, aliado dos aiatolás.
As ações mais chamativas são da retaliação iraniana. Os ataques a navios no golfo Pérsico continuaram nesta quinta, após ao menos cinco serem atingidos na véspera. Dois petroleiros ainda estavam em chamas perto do Iraque quando uma outra embarcação foi alvejada pela Guarda Revolucionária perto do estreito de Hormuz.
A disrupção do tráfego marÃtimo na rota de um quinto da produção mundial de petróleo e gás natural liquefeito é o efeito colateral mais agudo da guerra. O Irã conta com esse efeito sobre o mercado, ainda que ele mesmo seja prejudicado pois perde seu único grande cliente no ambiente de sanções, a China, que compra quase todo seu óleo.
Nesta quinta, o barril referencial Brent chegou a ultrapassar os US$ 100, algo que só havia ocorrido no começo da semana. Na véspera, o Irã disse que o mundo devia se preparar para um barril de US$ 200, e parece disposto a cumprir a ameaça.
Além dos petroleiros, Teerã voltou a atacar instalações petrolÃferas de paÃses aliados dos EUA no golfo, como o Bahrein. Omã já havia registrado um grande incêndio no porto de Salalah na véspera. O terminal iraquiano de Basra também foi alvejado com drones, paralisando o escoamento da produção.
Na via contrária, os EUA intensificaram ações contra a infraestrutura militar do Irã, atingindo pistas de pouso mais remotas e bunkers âna quarta, bombardeiros B-1B no Reino Unido foram filmados sendo carregados com bombas de penetração de solo de 900 kg.
Pelos vÃdeos divulgados nesta manhã de quinta pelo Comando Central das Forças Armadas dos EUA, um dos focos é o desmantelamento do que sobrou da Aeronáutica iraniana. Os lendários caças americanos F-14, comprados pelo regime anterior à teocracia nos anos 1970 e ainda voando, foram aparentemente dizimados.
Israel, por sua vez, iniciou uma nova onda de ataques ao sul de Beirute e a cidades na zona tampão entre seu território e o rio Litani, no LÃbano. Segundo o Exército, as ações serão intensificadas depois que o Hezbollah libanês promoveu seu maior ataque nesta guerra, na noite de quarta.
Foram mais de 100 foguetes lançados contra o norte do Estado judeu, em uma ação conjunta com o Irã. Desde a semana passada, os rivais de Israel têm executado barragens coordenadas, dificultando o trabalho da defesa aérea. Não houve relatos de mortes.
O ataque intenso contrastou com a redução da frequência das ações contra Israel. De fato, no dia 4, o Hezbollah havia promovido 47 barrages contra Israel, número que caiu a 6 na quarta, segundo a Universidade de Tel Aviv. O Irã segue o mesmo roteiro, preferindo lançar seus drones e mÃsseis de forma mais espraiada pela região.
O custo humano da guerra só faz crescer, numa conta que pesa mais sobre quem está recebendo o maior fogo. No Irã, além dos mais de 1.300 mortos, há ao menos 3,2 milhões dos 93 milhões de habitantes deslocados de suas casas, segundo a ONU divulgou nesta quarta. No LÃbano, são mais de 630 mortos e 810 mil fora de casa.
Há vÃtimas espalhadas pelos paÃses do golfo, enquanto Israel conta 14 mortos e 3.400 deslocados internos. Os EUA perderam sete militares desde o inÃcio da guerra, e contam cerca de 140 feridos.
Se a demolição das capacidades militares iranianas é evidente, o cenário cada vez mais assimétrico e complexo desafia a assertiva feita por Trump em discurso na noite de quarta.
"Nós vencemos. Deixe eu dizer uma coisa: nós vencemos. Nunca queremos dizer que ganhamos antes da hora, mas nós ganhamos. Na primeira hora, a guerra já tinha acabado", disse.