Resumo objetivo:
A Cargill suspendeu as operações de exportação e compra de soja no Brasil devido a mudanças no sistema de inspeção fitossanitária, atendendo a um pedido da China. O novo método, considerado incomum, está causando discrepâncias que impedem a emissão dos certificados necessários para o desembarque na China, arriscando paralisar os embarques. As negociações entre exportadores e o Ministério da Agricultura continuam em busca de uma solução.
Principais tópicos abordados:
1. A suspensão das operações de exportação de soja para a China pela Cargill.
2. As mudanças e dificuldades impostas pelo novo sistema de inspeção fitossanitária brasileiro.
3. O risco de paralisação do fluxo comercial com a China, principal importadora da soja brasileira.
4. As negociações em andamento entre o setor exportador e o governo para resolver o impasse.
O presidente da Cargill no Brasil e do Negócio AgrÃcola na América Latina, Paulo Sousa, afirmou nesta quarta-feira (11) que a empresa suspendeu as operações de exportação de soja do Brasil para China devido a mudanças na inspeção fitossanitária pelo governo brasileiro.
Segundo ele, o Ministério da Agricultura do Brasil atendeu um pedido do governo asiático de realizar uma inspeção mais rigorosa para a soja destinada à China, e essa mudança está dificultando cumprimento de normas pelos comerciantes e a obtenção da autorização para o embarque do produto.
Ele disse que o novo sistema é pouco usual no mercado de grãos.
Neste contexto, a Cargill, uma das maiores exportadoras de soja a partir do Brasil, também suspendeu a compra do produto no mercado brasileiro, por conta das dificuldades de enviar o grão ao principal importador global da oleaginosa.
"Isso é um grande risco hoje para o fluxo de exportação brasileira de soja para a China", afirmou Sousa, nos bastidores da Argentina Week 2026, conferência organizada pelo Bank of America em Nova York.
Ele declarou que a nova fiscalização, em vez de usar amostra padrão para inspeção que o mercado usa, está fazendo a própria amostragem.
"Isso está gerando discrepância... com essas discrepâncias, os certificados fitossanitários que acompanham a carga, que são emitidos pelo ministério, em alguns casos não estão sendo emitidos...", disse.
Sem os certificados, o navio não pode descarregar na China. Com isso, alguns navios que tinham a China como destino podem "ser levados para outro lugar", declarou o executivo.
"Se não resolver logo, vai levar à paralisação dos embarques para a China", disse Sousa, acrescentando que a Cargill parou de fazer operações na última sexta-feira (6).
Ele disse que o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, está avaliando a situação com as entidades representativas dos exportadores e processadores, a Anec e a Abiove, buscando um acordo "sobre a maneira correta de fazer a amostra e a classificação da soja".
Algumas postagens no X (antigo Twitter) nesta quarta-feira, feitas por corretores de grãos e agricultores brasileiros, citaram que quase não houve lances de comerciantes para comprar soja local.
A China é, de longe, o maior cliente da soja brasileira, comprando cerca de 80% dos grãos exportados pelo paÃs sul-americano. O Brasil é o maior produtor e exportador mundial da oleaginosa.
O executivo afirmou que as novas inspeções começaram no inÃcio da semana passada. Há negociações em andamento, mas até agora nenhuma solução foi encontrada, afirmou.
O Ministério da Agricultura do Brasil não respondeu a um pedido de comentário na noite de quarta-feira.
A Anec, associação brasileira de exportadores de grãos, afirmou em nota na quarta-feira que há preocupações entre os exportadores sobre como eles conseguirão adequar suas operações ao novo sistema de inspeção, especialmente no perÃodo de pico das exportações de soja do Brasil.
"De forma geral, a principal preocupação do setor segue sendo a soja e como a cadeia conseguirá se adequar às novas exigências no médio prazo. A Anec permanece em diálogo com o Mapa (Ministério da Agriculura) e acompanhando a evolução do tema junto às autoridades competentes", disse.