O dólar abriu em leve alta, influenciado pela aceleração da inflação brasileira medida pelo IPCA de fevereiro (0,7%) e pela tensão geopolítica no Oriente Médio, que elevou o preço do petróleo. Os investidores também monitoravam dados de inflação nos EUA (CPI) e as tensões envolvendo EUA, Israel e Irã, que ameaçam o estratégico Estreito de Hormuz e pressionam os preços da commodity. Paralelamente, o Ibovespa foi impulsionado pelas ações da Petrobras, refletindo o cenário de alta do petróleo.
O dólar abriu em leve alta nesta quinta-feira (12) com os investidores avaliando os dados do IPCA (Ãndice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) de fevereiro, divulgados nesta manhã, que apontou aceleração da inflação para 0,7%.
O aumento dos preços foi mais forte do que o registrado em janeiro, quando a variação foi de 0,33%. No acumulado de 12 meses, a inflação chega a 3,81%, dentro da meta estipulada pelo CMN (Conselho Monetário Nacional) para 2026 e abaixo dos 4,44% dos 12 meses imediatamente anteriores.
Além disso, os investidores avaliam o confronto no Oriente Médio, que causou um novo aumento no preço do petróleo, que chegou a superar os US$ 100 na madrugada desta quinta-feira.
Ãs 9h10, a moeda norte-americana subia 0,26%, cotada a R$ 5,1726. Na quarta-feira (11), o dólar fechou próximo da estabilidade, enquanto a incerteza sobre os efeitos econômicos da guerra no Oriente Médio se manteve e beneficiou o setor brasileiro de petróleo.
Durante o pregão, a commodity voltou a se valorizar em meio à s tensões envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã. Analistas também acompanharam a divulgação do Ãndice CPI, que mede a inflação ao consumidor nos EUA, e a pesquisa Genial/Quaest sobre as eleições presidenciais deste ano.
A moeda norte-americana registrou alta de 0,03%, a R$ 5,159. O Ibovespa, Ãndice de referência do mercado brasileiro, subiu 0,28%, aos 183.969 pontos, impulsionado pelas ações da Petrobras.
O ambiente de tensão no Oriente Médio continuou impactando os preços. Nesta quarta, o Irã atacou pelo menos três navios mercantes no golfo Pérsico para reafirmar a decisão de manter o estratégico estreito de Hormuz fechado.
"Se preparem para o petróleo a US$ 200 o barril, porque o preço depende da segurança regional que vocês desestabilizaram", disse o porta-voz militar iraniano Ebrahim Zolfaqari.
Com o ambiente mais bélico, o petróleo chegou a subir 6,09%, cotado a US$ 93,15 (R$ 480,61) após despencar 11,3% na terça-feira (10) em virtude de uma fala do presidente norte-americano, Donald Trump, sobre o fim da guerra no Irã.
Na segunda-feira, o republicano afirmou que o conflito está "praticamente encerrado" e que Washington está "muito à frente" do prazo, inicialmente estimado entre quatro e cinco semanas. A declaração foi vista com alÃvio em meio à s preocupações sobre o mercado de energia.
Desde que Estados Unidos e Israel bombardearam o Irã no fim de fevereiro, o Oriente Médio vive um cenário de guerra regional, à medida que os ataques se espalharam por territórios vizinhos e passaram a dar sinais de que a área âestratégica para o comércio de petróleo do mundoâ poderia estar diante de um gargalo energético.
Na segunda, o petróleo chegou a ficar próximo de US$ 120 por barril. O maior temor diz respeito ao transporte de navios no estreito, localizado na costa iraniana e por onde trafega 20% da produção mundial de petróleo.
Um bloqueio prolongado do estreito poderia gerar um efeito cascata na economia mundial, com repique na inflação e, por consequência, nas taxas de juros de paÃses já avançados dos ciclos de afrouxamento.
Para evitar que o cenário se agrave, ministros de energia dos paÃses do G7 negociam a liberação de reservas estratégicas de petróleo. Na última terça-feira, uma reunião do bloco sobre o tema foi feita, mas um acordo ainda não foi fechado.
Os ministros aguardam uma avaliação da AIE (Agência Internacional de Energia) para definir os próximos passos. A agência informou que os 32 paÃses que integram o órgão aceitaram liberar 400 milhões de barris de petróleo, no maior movimento desse tipo na história da organização.
Durante o pregão, também houve a divulgação do Ãndice de Preços ao Consumidor (CPI, na sigla em inglês) de fevereiro. O Ãndice subiu 0,3% no mês passado, depois de ter avançado 0,2% em janeiro, informou o Departamento do Trabalho. Economistas consultados pela Reuters previam alta de 0,3%.
Segundo Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, o conflito no Oriente Médio ainda não refletiu no Ãndice. "O principal desafio está relacionado aos efeitos do conflito, especialmente nos preços dos combustÃveis. A prolongação do conflito tende a restringir ainda mais o abastecimento de petróleo e seus derivados, o que pode retardar a desinflação dos EUA".
A pesquisa presidencial Genial/Quaest também esteve no rador dos investidores. Em simulação de segundo turno, o senador Flávio Bolsonaro (PL) apareceu numericamente empatado com o presidente Lula (PT), ao avançar entre eleitores independentes. Ambos marcam 41% das intenções de votos.
No mercado de ações brasileiro, destaque para o setor petroleiro, que sobe em bloco. As ações ordinárias da Petrobras fecharam em alta de 4,88%; Prio e Brava avançaram 0,76% e 0,66%, respectivamente. Na ponta negativa, RaÃzen, que pediu recuperação extrajudicial, que caiu até 17,3% na mÃnima da sessão e encerrou o dia recuando em baixa de 5,76%.