Resumo objetivo:
A equipe de Lula alterou a estratégia de campanha após pesquisas mostrarem Flávio Bolsonaro como favorito junto com o presidente. Como primeira reação, Lula cancelou a ida à posse do presidente chileno para evitar estar no mesmo evento que o adversário, movimento criticado como uma descortesia diplomática e um erro tático que elevou o status do rival. O episódio revela que o Planalto passou a enxergar Flávio como uma ameaça eleitoral que exige uma estratégia mais elaborada, abandonando a anterior política de menosprezo.
Principais tópicos abordados:
1. Mudança na estratégia eleitoral de Lula devido à ascensão de Flávio Bolsonaro nas pesquisas.
2. Crítica à reação inicial (cancelamento da viagem) como um erro estratégico e diplomático.
3. Análise de que o episódio simboliza a nova percepção do governo sobre a força política do sobrenome Bolsonaro.
O time do presidente levou um susto quando viu Flávio Bolsonaro (PL) subir nas pesquisas e compartilhar com Luiz Inácio da Silva (PT) o favoritismo nas intenções de votos a serem efetivados (ou não) em outubro próximo.
Daà divulgou-se que haveria mudança de estratégia na campanha à reeleição de Lula, com ofensiva pesada sobre o adversário até então menosprezado. A julgar pelo primeiro lance de reação direta contra o senador, falta pensamento estratégico nessa investida.
Em favor dos conselheiros, consta ter sido ideia de Lula cancelar de última hora a ida ao Chile para a cerimônia de posse de José Antonio Kast porque Flávio estava na lista de convidados. Do desprezo passou a dar ao rival lugar de honra em sua agenda. De graça, o senador ganhou a prerrogativa de pautar os passos do presidente da República.
Lula iria na condição de chefe de Estado, figura de destaque na cena principal da solenidade, com direito a reunião bilateral com o empossado. Ao oponente, por mais identidade ideológica que tenha com o dono da festa, estaria reservado um papel secundário.
Inevitável a impressão de que o presidente brasileiro fugiu da raia, e numa conjuntura em que estaria mais bem colocado. De modo desnecessário fez uma desfeita, cometeu uma descortesia diplomática, submeteu um ato de governo à lógica polÃtico-eleitoral e mais uma vez mostrou como deixa o clima de campanha contaminar o exercÃcio da Presidência.
Se acreditou mostrar-se superior ao não frequentar o mesmo evento que o adversário, Lula errou na avaliação, pois criou uma situação de paridade. O episódio pode parecer desimportante, mas ganha relevância se examinado no contexto do plano para dar combate ao primogênito do ex-presidente.
O espectro do pai, Jair, até há pouco interessou a Lula como contraponto de palanque. O desempenho inicial de Flávio, no entanto, mostrou que o sobrenome, em vez de representar um passivo, pode ser um ativo a exigir expertise estratégica mais elaborada do Palácio do Planalto.