Resumo objetivo:
O processo de liquidação do Banco Master enfrenta dificuldades para rastrear o dinheiro aplicado devido à complexa cadeia de repasses entre fundos e intermediários, o que impede identificar os reais donos dos recursos. Para resolver o problema, estuda-se contratar uma empresa especializada para separar credores legítimos de beneficiários do esquema ilegal. O colapso do Master, que usava fundos para inflar artificialmente seu balanço, provocou uma intervenção do Banco Central em outras oito instituições financeiras.
Principais tópicos abordados:
1. A complexidade e falta de transparência na rastreabilidade dos recursos na liquidação do Master.
2. O esquema de "carteiras" de produtos financeiros repassadas e revendidas entre empresas do grupo.
3. A prática ilegal de usar fundos (como os da Reag) para comprar ativos superfaturados e maquiar o balanço.
4. As repercussões sistêmicas do caso, incluindo a intervenção em outras instituições e prejuízos a fundos de previdência.
O processo de liquidação do Master tem encontrado dificuldade para rastrear o dinheiro aplicado em carteiras de investimento ligadas ao banco. A cadeia de repasses entre diferentes fundos e intermediários torna um problema achar o destino final do dinheiro e quem é o real dono. A coluna apurou que o Banco Central está ciente da questão.
Os possÃveis investidores têm procurado o liquidante do Master para reivindicar a propriedade. Já houve casos em que duas empresas diferentes informaram terem direito aos recursos do mesmo fundo.
Para tentar puxar o fio da meada, uma das soluções estudadas é contratar empresa do mercado financeiro com expertise para rastrear aplicações, a origem e quem são os reais donos. O trabalho envolveria separar os credores legÃtimos dos beneficiários do esquema ilegal, já que os investimentos circulavam entre fundos ligados a diferentes intermediários.
Na raiz dessa confusão estão contratos de crédito consignado, cartões benefÃcio e cartões consignados, alguns dos produtos financeiros idealizados pelo próprio Master e depois copiados por fintechs e outras instituições financeiras. São carteiras repassadas entre diferentes empresas do grupo e vendidas, à s vezes mais de uma vez para compradores diferentes.
O Master tinha R$ 80 bilhões em ativos quando foi liquidado, mas apenas R$ 4 milhões em caixa. O Banco Central identificou seis fundos da Reag suspeitos, com patrimônio total de R$ 102,4 bilhões. Esses fundos compravam ativos sem valor, a preços inflados e permitiam ao Master apresentar balanços com valores irreais e captar mais recursos no mercado.
Há relatos de que investidores, ao questionarem a Reag sobre o motivo para seu fundo de investimento, receberam ofertas de pagamentos com outros fundos, mas do Master.
O empresário João Carlos Mansur, ex-dono da Reag, disse que a empresa não era de fachada, não tinha investidores ocultos e foi penalizada por ser "grande e independente". As declarações foram dadas em depoimento nesta quarta-feira (11), na CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Crime Organizado, no Senado Federal.
Ele acrescentou que a gestora funcionava no modelo de "partnership", ou seja, com vários sócios e que todas essas informações são públicas
O colapso do Master teve efeito dominó: o Banco Central interveio em oito instituições financeiras. Pelo menos 18 fundos de previdência colocaram cerca de R$ 1,86 bilhão em fundos do Master e em letras financeiras, instrumentos que não são cobertos pelo FGC, Entre eles, os estados do Rio de Janeiro e do Amapá.