Resumo objetivo:
O novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, adotou um tom desafiador em seu primeiro pronunciamento, afirmando que o país manterá o fechamento tático do Estreito de Hormuz e continuará atacando bases americanas na região. Ele também prometeu vingar as mortes de civis iranianos e fez um raro apelo à unidade nacional, embora sua relação próxima com a Guarda Revolucionária sugira uma postura predominantemente belicista.
Principais tópicos abordados:
1. Política externa agressiva: ameaças de fechar o Estreito de Hormuz e atacar bases dos EUA.
2. Contexto interno: tom desafiador de Mojtaba Khamenei, sua ligação com a Guarda Revolucionária e o apelo à unidade nacional.
3. Cenário geopolítico: guerra com EUA e Israel, pressão econômica via petróleo e fragilidade do presidente moderado Pezeshkian.
4. Transição de poder: ascensão de Mojtaba em um processo sucessório influenciado pela Guarda, sem herança formal do cargo.
O novo lÃder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, adotou um tom desafiador em seu primeiro pronunciamento após assumir o lugar do pai, Ali, morto no primeiro dia da guerra lançada pelos Estados Unidos e Israel contra a teocracia.
Mojtaba, 56, disse que suas forças continuarão fechando na prática o estratégico estreito de Hormuz, por onde passam 20% do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo. à uma forma "de manter pressão sobre o inimigo".
O pronunciamento escrito foi lido na TV estatal. O usualmente recluso Mojtaba, ferido no primeiro dia da guerra, segue sem aparecer em público.
O lÃder afirmou que o Irã preza a amizade de seus vizinhos, mas vai continuar a atacar as bases americanas em solo de aliados de Washington no Oriente Médio. "Elas devem fechar", disse. Também exigiu reparações pelos danos da guerra, sob pena de "destruir os ativos" americanos e israelenses.
Ele também prometeu "vingar o sangue dos mártires, em especial dos de Minab", em referência aos cerca de 180 mortos no bombardeio a uma escola na cidade homônima, a maioria estudantes.
O tom duro, transparecendo sua ligação com o estamento militar da Guarda Revolucionária, só foi quebrado num raro aceno à oposição ao regime, que na virada do ano havia promovido os maiores protestos da história da teocracia instalada em 1979.
"A unidade entre todos os indivÃduos e estratos da nação não deve ser prejudicada. Isso será alcançado deixando de lado os pontos de discordância", afirmou, restando saber se ele falava sobre uma disposição de afrouxar seu aparato repressivo ou apelava à queles que criticam o regime.
Mojtaba (pronuncia-se "môj-tá-ba") não se manifestava desde o domingo (8), quando foi eleito lÃder por um colegiado de clérigos.
Ele havia sido ferido no ataque que matou seu pai e outros cinco membros de sua famÃlia no primeiro dia do conflito, 28 de fevereiro. Segundo a mÃdia iraniana, ele quebrou o pé e sofreu escoriações leves na explosão do que analistas acreditam ter sido um mÃssil aerobalÃstico Blue Sparrow israelense.
Dono de perfil discreto, ele sempre viveu à sombra do pai, cultivando conexões com o aparato de segurança comandado pela Guarda Revolucionária.
Antes de sua morte, Khamenei, com mais de 80 anos e doente, tinha no clérigo radical Ebrahim Raisi seu sucessor presumido. Mas o então presidente morreu de forma misteriosa em um acidente de helicóptero em 2024, e nova eleição colocou o mais moderado Masoud Pezeshkian no poder.
O enfraquecimento dos prepostos regionais de Teerã pelas guerras do pós-7 de Outubro de Israel e o conflito direto com o Estado judeu e os EUA em 2025 minaram ainda mais a teocracia, que viu os maiores protestos contra o regime na virada deste ano.
Com a nova guerra e a morte do lÃder supremo, a Guarda e seu principal nome na polÃtica, o chefe do Conselho de Segurança, Ali Larijani, comandaram o processo sucessório.
Alguns moderados se queixaram da falta de transparência esperada na eleição pela Assembleia dos Especialistas. Mojtaba nunca foi designado herdeiro pelo pai e o regime islâmico não prevê transferência hereditária de poder. Com isso, a Guarda ganhou ainda mais poder, ao menos neste momento.
Já Pezeshkian, que nunca foi um presidente forte, viu sua posição ainda mais esvaziada. O pedido de desculpas aos vizinhos foi ignorado pelos militares, que redobraram ações no golfo Pérsico, e ninguém levou a sério sua oferta para parar a guerra em termos favoráveis âTrump é quem dá as ordens nesse quesito.
A dúvida que fica agora é se Mojtaba irá de fato tomar o controle da situação e se conseguirá operar fora dos ditames da Guarda, que até aqui tem apenas escalado a guerra, na esperança de que o desgaste econômico devido ao impacto no mercado de petróleo pressione Trump.