O novo presidente do Chile, José Antonio Kast, assinou decretos para implementar um "Plano Escudo de Fronteira", que inclui a construção de barreiras físicas na fronteira com a Bolívia e o aumento de recursos militares para combater a imigração irregular. A medida é uma das primeiras ações de seu governo, considerado o mais à direita desde o fim da ditadura de Pinochet, e cumpre uma promessa de campanha centrada na deportação em massa de imigrantes sem documentação. Além da agenda migratória, Kast também determinou uma auditoria nas contas do governo anterior, acusando falta de transparência.
Principais tópicos abordados:
1. Medidas de controle migratório na fronteira norte.
2. Início do governo de direita de José Antonio Kast.
3. Auditoria nas contas do governo anterior.
4. Contexto político e presenças na posse presidencial.
O novo presidente do Chile, José Antonio Kast, não demorou em mostrar o tom do seu governo. Horas após tomar posse nesta quarta-feira (11), ele ordenou a construção de "barreiras fÃsicas" na fronteira com a BolÃvia, cumprindo sua promessa de campanha de combater a imigração irregular no paÃs.
"Solicito a colaboração ativa no aumento do número de funcionários, e também peço a colaboração de vocês na construção de barreiras fÃsicas para deter a entrada da imigração ilegal", afirmou o lÃder de direita ao chefe do Exército chileno, Pedro Varela, durante a cerimônia de assinatura dos seis primeiros decretos presidenciais.
Do total, três deles estavam relacionados à questão da imigração. O principal decreto ordena a implementação do chamado "Plano Escudo de Fronteira" pelos ministérios da Defesa e do Interior.
A medida determina alterações na legislação para "desencorajar a imigração irregular", modificação das "normas sobre o uso da força para gerar mais ferramentas contra a entrada clandestina" e a construção de "barreiras fÃsicas nas áreas necessárias", sem especificar como seriam essas estruturas.
Um segundo decreto também ordena o aumento de "recursos militares" na fronteira norte do paÃs, além de melhora da vigilância "com o uso de drones e sensores".
A chegada de Kast ao Palácio de La Moneda dá inÃcio ao governo mais à direita do paÃs desde o fim da ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990). Admirador de Donald Trump, Kast teve como um de seus principais lemas de campanha a defesa da deportação em massa de imigrantes em situação irregular.
Ao menos 337 mil estrangeiros vivem atualmente sem a documentação no Chile, segundo dados oficiais.
Após romper com o seu antecessor Gabriel Boric durante a transição, acusando-o de falta de transparência, Kast também assinou um decreto para realizar uma auditoria para revisar as contas do governo anterior.
"Vamos ser implacáveis com quem roubar dinheiro dos chilenos", afirmou. o novo presidente "Estamos vivendo uma mudança de poder republicana, vamos fazer auditorias." Ambos se reencontraram no domingo (8) e retomaram as reuniões entre as duas equipes.
A posse aconteceu no Salão de Honra do Senado em ValparaÃso, com a presença de mais de 1.150 pessoas, incluindo parlamentares, senadores e convidados internacionais, como o rei Felipe 6º da Espanha e o presidente da Argentina, Javier Milei. Embora Kast tivesse planejado um encontro com Milei, isso não ocorreu devido a conflitos de agenda.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chegou a confirmar presença, mas cancelou a viagem no dia anterior. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) veio e criticou a ausência do petista.
Antes de assumir oficialmente, Kast posou para a primeira foto com seu novo gabinete no Palácio Cerro Castillo, em Viña del Mar, no qual se comprometeu a fazer um "governo de emergência" e combater o crime organizado.