Resumo objetivo:
O trem internacional entre Pequim (China) e Pyongyang (Coreia do Norte) retomou suas operações após mais de seis anos de suspensão devido ao fechamento de fronteiras na pandemia. A reabertura, que ocorre de forma gradual e prioriza inicialmente diplomatas e funcionários oficiais, visa facilitar o intercâmbio de pessoas e promover a cooperação bilateral. O fato também reacende expectativas sobre projetos de infraestrutura paralisados e é visto como um possível sinal de abertura diplomática da Coreia do Norte.
Principais tópicos abordados:
1. A reabertura da linha férrea internacional após longo fechamento pandêmico.
2. Os objetivos bilaterais de facilitar intercâmbios e cooperação.
3. Os detalhes operacionais e o caráter gradual da retomada.
4. O contexto geopolítico e as perspectivas para infraestrutura e diplomacia.
O trem internacional entre Pequim, na China, e Pyongyang, na Coreia do Norte, voltou a circular nesta quinta-feira (12), encerrando uma interrupção de mais de seis anos imposta pelo fechamento das fronteiras da Coreia durante a pandemia de covid-19. A retomada foi confirmada pela estatal Ferrovias da China, que anunciou a operação bidirecional como medida para “promover ainda mais o intercâmbio de pessoas, a cooperação econômica e comercial e as trocas culturais” entre os dois países.
Em coletiva de imprensa realizada em Pequim nesta quinta, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, destacou positivamente a volta da rota. “China e República Popular da Coreia são países vizinhos amigos, e a manutenção da operação regular dos trens de passageiros tem grande importância para facilitar o intercâmbio de pessoas entre os dois lados”, afirmou. O porta-voz acrescentou que Pequim apoia as autoridades competentes de ambos os países no fortalecimento da comunicação para criar condições mais favoráveis aos intercâmbios bilaterais.
A rota vai operar quatro vezes por semana, às segundas, quartas, quintas e sábados, nos dois sentidos. O trem parte da Estação de Pequim às 17h26 (horário de Pequim), faz parada em Tianjin, Shanhaiguan, Shenyang e Dandong, e cruza a fronteira em Sinuiju antes de chegar a Pyongyang por volta das 18h07 do dia seguinte, no horário local. No sentido oposto, o trem sai de Pyongyang às 10h26 e chega a Pequim às 8h40 do dia seguinte. A rota Dandong-Pyongyang opera diariamente.
Apenas dois vagões cruzam a fronteira, acoplados ao trem doméstico K27/K28 no lado chinês e a trens equivalentes no lado coreano. Numa primeira fase, a prioridade é atender diplomatas e funcionários em missão oficial. Assentos remanescentes poderão ser disponibilizados ao público geral. O anúncio já gerou expectativa entre entusiastas ferroviários e jornalistas estrangeiros: no dia de reabertura, a Estação de Pequim registrou grande movimento de curiosos e representantes da mídia, sobretudo do Japão e da República da Coreia.
Reabertura gradual
A retomada da rota ocorre após anos de isolamento fronteiriço imposto pela pandemia, durante os quais Pyongyang manteve suas fronteiras praticamente fechadas ao mundo exterior. Antes da pandemia, os visitantes chineses representavam a parcela mais expressiva do turismo estrangeiro na República Popular da Coreia.
O país havia reaberto a zona turística de Wonsan-Kalma em julho do ano passado e recebeu, em fevereiro, diplomatas chineses para uma visita à área com fins de divulgação. No 9º Congresso do Partido dos Trabalhadores da Coreia Popular, o turismo foi definido como setor estratégico para o crescimento econômico nacional.
A ferrovia entre os dois países tem uma história que antecede a própria fundação da República Popular da China. O primeiro trem direto Pequim-Pyongyang foi inaugurado em 3 de junho de 1954, meses após a assinatura do Acordo Ferroviário Sino-Coreano.
Infraestrutura e perspectivas econômicas
Além do impacto imediato no intercâmbio de pessoas, a reabertura alimenta especulações sobre projetos de infraestrutura paralisados há anos. A Nova Ponte do Rio Yalu, que teve sua estrutura principal concluída em 2014, mas cujas instalações de fronteira no lado coreano ainda estão em obras, permanece sem data definida para inauguração. A cidade de Dandong incluiu a abertura da ponte entre suas metas para 2026. Se concretizada, a travessia complementaria a atual Ponte da Amizade Sino-Coreana, construída na era soviética e ainda em uso.
A agência sul-coreana Yonhap aponta que a retomada da ferrovia, em meio à instabilidade geopolítica, pode sinalizar a possibilidade de Pyongyang ampliar suas margens diplomáticas, especialmente no contexto em que o presidente estadunidense Donald Trump estuda uma possível visita à China no final do mês que poderia abrir caminho para um eventual encontro com o líder norte-coreano Kim Jong-un.