A Rússia criticou veementemente a resolução do Conselho de Segurança da ONU, patrocinada pelo Bahrein, que condenou os ataques do Irã contra países do Golfo. Os principais pontos de contestação são o caráter tendencioso do documento, que ignora as agressões prévias dos EUA e de Israel como causa da escalada, e o risco de exacerbar as divisões regionais. Por isso, Rússia e China se abstiveram na votação, argumentando que a medida não trará paz, pois isenta os atores que, segundo Moscou, iniciaram o conflito.
Principais tópicos abordados:
1. A rejeição da Rússia à resolução do Conselho de Segurança.
2. A abstenção e o alinhamento diplomático entre Rússia e China.
3. A narrativa sobre as causas do conflito, atribuindo responsabilidade aos EUA e a Israel.
4. O uso de bases militares estadunidenses em países do Golfo como justificativa para os ataques iranianos.
Rússia questiona resolução do Conselho de Segurança sobre Irã: 'isso não trará paz'
Representante russo enfatizou que medida é tendenciosa porque 'confunde relação de causa e efeito' e irá exacerbar 'divergências entre atores da região'; Moscou e Pequim se abstiveram
A Rússia manifestou sua profunda insatisfação após a aprovação, pelo Conselho de Segurança da ONU, de uma resolução do Bahrein relativa ao conflito no Oriente Médio. A declaração foi feita pela porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Maria Zakharova, em coletiva de imprensa nesta quinta-feira (12/03).
O Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou nesta quarta-feira (11/03) uma resolução condenando “nos termos mais veementes” os ataques com mísseis e drones lançados pelo Irã contra Bahrein, Kuwait, Omã, Catar, Arábia Saudita, Emirados Árabes e Jordânia.
Durante a sessão, o Representante Permanente da Rússia na ONU, Vasily Nebenzia, afirmou que a resolução é tendenciosa, ignora agressões anteriores dos EUA e de Israel e não garantirá a paz no Oriente Médio. “Ela não pode alcançar a paz no Oriente Médio. Apenas exacerbará as divergências entre os principais atores da região”, enfatizou o diplomata russo.
Nebenzia também denunciou os Estados Unidos por terem vetado um apelo russo no Conselho por uma solução diplomática para o conflito. A resolução, patrocinada pela Rússia, instava todas as partes a cessarem imediatamente as hostilidades “no Oriente Médio e além” e a buscarem soluções diplomáticas, além de condenar todos os ataques contra civis.
A votação teve treze votos a favor, com Rússia e China se abstendo. Zakharova explicou que Moscou e Pequim se abstiveram porque discordam fundamentalmente da premissa da resolução, que consideram desconectada das causas subjacentes da atual escalada regional.
“A Rússia e a China se abstiveram porque se opõem ao próprio conceito deste documento, que ignora as causas profundas da crise”, afirmou Zakharova, enfatizando que a narrativa que atribui ao Irã a responsabilidade exclusiva pela escalada é enganosa. Moscou tem reiteradamente afirmado que a crise tem origem na agressão não provocada dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã.
O contexto da resolução remonta a 28 de fevereiro de 2026, quando Washington e Tel Aviv lançaram ataques conjuntos contra o Irã, causando danos e vítimas civis. Teerã respondeu atacando território israelense e instalações militares norte-americanas no Oriente Médio.
Por sua vez, EUA e Israel alegaram inicialmente que seu ataque “preventivo” era necessário para neutralizar a suposta ameaça do programa nuclear iraniano, embora logo tenham deixado claro seu desejo de mudança de regime no país persa. No primeiro dia da operação militar, o Líder Supremo do Irã, Aiatolá Ali Khamenei, foi assassinado.
Nebenzia destacou que a Casa Branca envolveu os Estados do Golfo em suas ações agressivas, ignorando repetidos pedidos dessas nações árabes para que não utilizassem seus territórios para lançar operações militares contra o Irã.
O representante russo lembrou que o próprio Comando Central dos EUA afirmou que os ataques foram lançados “não apenas por mar e ar, mas também por terra”, o que demonstra o uso de territórios de países vizinhos a Teerã.
Nebenzia também referiu-se ao quartel-general da Quinta Frota dos EUA no Bahrein como “a principal força de ataque contra o país persa”. Ele ainda mencionou a Base Aérea Príncipe Sultan na Arábia Saudita, que descreveu como “o principal ponto de manutenção de aeronaves dos EUA na região”. Enfatizando que Washington usa suas bases no Catar, Kuwait, Jordânia e Iraque para sua agressão, o que, segundo a Rússia, serve como “justificativa” para os ataques do Irã.
Por fim, Zakharova criticou os autores da resolução — o Bahrein — por se recusarem a incorporar as emendas propostas por Rússia e China, descrevendo o texto como desequilibrada. Ela salientou que a resolução, elaborada com o apoio dos países do Golfo Pérsico, visa exclusivamente o Irã, negligenciando os papéis dos EUA e de Israel.