Resumo objetivo: O medicamento não hormonal fezolinetanto (Veoza) foi aprovado para distribuição no sistema público de saúde britânico (NHS) como uma alternativa para mulheres na menopausa que não podem fazer terapia de reposição hormonal. Ele atua bloqueando as vias nervosas dos fogachos e suores noturnos, beneficiando cerca de 500 mil mulheres no Reino Unido, mas é contraindicado para pacientes com certas condições, como doenças hepáticas. A droga ainda aguarda autorização da Anvisa para ser comercializada no Brasil.
Principais tópicos abordados:
1. Aprovação e incorporação do fezolinetanto (Veoza) no sistema de saúde britânico.
2. Mecanismo de ação e público-alvo (alternativa não hormonal para mulheres com contraindicações à TRH).
3. Restrições e contraindicações ao uso do medicamento.
4. Situação regulatória no Brasil (pendente na Anvisa) e disponibilidade em outros países.
5. Efeitos colaterais e preocupações com a segurança, especialmente a toxicidade hepática.
O medicamento não hormonal fezolinetanto, comercializado como Veoza, passará a ser distribuÃdo pelo sistema de saúde britânico (NHS). O medicamento foi aprovado pelo Nice, equivalente britânico à Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS).
Segundo o jornal The Guardian, mais de 500 mil mulheres na menopausa que não têm indicação para a terapia de reposição hormonal (TRH) poderão ser beneficiadas.
Fabricado pela Astellas Pharma, o Veoza atua bloqueando as vias nervosas responsáveis por desencadear os sintomas. O comprimido de uso diário é a primeira alternativa não hormonal aprovada para o tratamento de ondas de calor (fogachos) e suores noturnos no NHS.
A TRH segue como tratamento de primeira linha no sistema de saúde público britânico. Apesar de ser considerada a mais eficaz, não é adequada para mulheres com histórico de câncer de mama ou de ovário, coágulos sanguÃneos ou hipertensão não tratada. As ondas de calor afetam cerca de 70% das mulheres na menopausa e podem comprometer sono, disposição e produtividade.
Quem pode tomar o fezolinetanto?
"Para aquelas que não podem tomar TRH, as opções têm sido limitadas historicamente", disse ao The Guardian Helen Knight, diretora de avaliação de medicamentos do Nice. Segundo ela, o fezolinetanto mostrou-se custo-efetivo e capaz de reduzir significativamente os sintomas.
O Veoza, porém, não é uma opção para todas as pacientes, afirma a BBC. O Nice não recomenda o uso do medicamento por mulheres com câncer de mama ativo, outros cânceres dependentes de estrogênio e doenças hepáticas, pois esses grupos não foram incluÃdos nos estudos clÃnicos, e portanto não há dados disponÃveis sobre riscos ou benefÃcios para essas pacientes.
Mulheres que já tiveram câncer de mama e concluÃram o tratamento podem, em alguns casos, utilizar o medicamento, mas a decisão depende de avaliação médica individual.
Medicamento não está disponÃvel no Brasil
O fezolinetanto já está disponÃvel em 14 paÃses. Aprovado em 2023, o medicamento não hormonal só agora foi incorporado ao NHS. A decisão vale para Inglaterra, PaÃs de Gales e Irlanda do Norte, que costumam seguir as diretrizes do Nice. Escócia tem seu próprio órgão avaliador, o SMC, que até o momento não recomendou o medicamento para o sistema público, afirma a BBC.
A fabricante submeteu a medicação à aprovação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) também em 2023, mas ainda aguarda autorização para comercialização no Brasil.
O FDA, órgão regulador americano, também aprovou em 2023 o uso do medicamento nos Estados Unidos. No paÃs, a paroxetina âoriginalmente usada para tratar depressãoâ é outro remédio não hormonal aprovado pelo órgão para minimizar os sintomas da menopausa, segundo informações do jornal The New York Times.
Ainda não há estudos comparando a eficácia do fezolinetanto à da terapia hormonal (que pode reduzir as ondas de calor em até 75%), mas o novo medicamento parece ser mais eficaz do que a paroxetina no tratamento da menopausa, afirma o NYT.
Efeitos colaterais e riscos à saúde
A principal preocupação, durante os ensaios clÃnicos, foi a toxicidade hepática: versões semelhantes do medicamento desenvolvidas por outras empresas foram descontinuadas por este motivo. Nos três estudos da fabricante Astellas, 25 participantes apresentaram elevação nas enzimas hepáticas. à por isso que mulheres com histórico de danos ao fÃgado devem evitar o medicamento, e exames de sangue são recomendados antes do inÃcio do tratamento. O uso também é contraindicado para pacientes com insuficiência ou doença renal.
Especialistas apontam que ainda há muitas dúvidas sobre efeitos do uso do fezolinetanto no longo prazo, especialmente no que diz respeito à saúde cardiovascular, óssea, sexual e metabólica. Até o momento, apenas o estrogênio demonstrou benefÃcios comprovados para além do controle das ondas de calor.