Resumo objetivo:
Doze dias após um ataque conjunto EUA-Israel que matou o líder supremo iraniano Ali Khamenei e centenas de civis, o novo líder, Mojtaba Khamenei, em seu primeiro pronunciamento, prometeu vingança, manteve o bloqueio ao Estreito de Ormuz e exigiu o fechamento imediato de todas as bases militares dos EUA na região. Segundo a analista consultada, a ofensiva não alcançou seu objetivo de "decapitação" do governo iraniano, que manteve sua cadeia de comando, e as ações indicam a continuação do conflito, com impacto também no Líbano e em Gaza.
Principais tópicos abordados:
1. Pronunciamento do novo líder iraniano com ameaças de retaliação e manutenção de medidas de pressão geopolítica.
2. Análise da estratégia dos EUA e Israel e sua falha em desestabilizar o comando iraniano.
3. Bloqueio do Estreito de Ormuz e seu impacto no comércio global de petróleo.
4. Escalada do conflito na região, incluindo ações no Líbano e paralelos com a guerra em Gaza.
Doze dias após o início da ofensiva conjunta de Estados Unidos e Israel contra o Irã, que matou o líder supremo aiatolá Ali Khamenei e centenas de civis — incluindo 171 meninas em uma escola bombardeada —, o novo líder do país, Mojtaba Khamenei, fez seu primeiro pronunciamento público nesta quinta-feira (12/03). A mensagem, lida por um jornalista na TV estatal devido aos ferimentos do clérigo, trouxe promessas de vingança, a manutenção do bloqueio do Estreito de Ormuz e a exigência de fechamento imediato de todas as bases militares dos Estados Unidos na região.
Para a analista internacional Ana Prestes o pronunciamento de Mojtaba Khamenei desmonta a estratégia inicial de Washington. “Desmonta a fala do Trump no primeiro dia, quando ele falou em mudança de regime. Depois ele relativizou, depois disse que os EUA teriam que aprovar a escolha do novo líder. Agora simplesmente precisam lidar com o fato de que não conseguiram fazer a decapitação do governo iraniano”, afirma no Conexão BdF da Rádio Brasil de Fato.
A analista explica que, em geopolítica, “decapitação” significa remover a liderança de um país para desestabilizá-lo. “Eles jogaram uma bomba em cima de onde estava o líder supremo, mas o que os especialistas no Irã diziam se materializou: o país tem uma cadeia de comando e sucessão que está funcionando mesmo sob intenso bombardeio da maior potência militar do planeta.”
O novo líder determinou a manutenção do bloqueio no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo comercializado no mundo. “Isso continua sendo um dos maiores ativos, um dos maiores trunfos que o Irã tem perante o mundo. Poder fazer circular ou não as embarcações com combustível é um poder imenso”, afirma Prestes.
Ela destaca que, enquanto países do Golfo são forçados a reduzir sua produção, o Irã aumentou suas exportações de petróleo para aliados estratégicos. “Eles realmente estão atacando quem tenta passar sem respeitar a ordem. Já há informações de recuo por parte dos Estados Unidos no estreito.”
Questionada sobre a possibilidade de uma trégua, Prestes é direta. “Hoje a leitura que eu faço desse pronunciamento é de que a guerra vai continuar. Ele fala que o fechamento do Estreito de Ormuz vai continuar. Ele diz: ‘Todas as bases dos Estados Unidos devem ser fechadas de imediato na região’. Isso é uma ameaça.”
Ela lembra que, embora o presidente iraniano tenha dito na semana passada que não atacariam mais bases em países como Bahrein, Catar e Emirados Árabes, o novo líder afirmou que as estruturas militares dos EUA seguem sendo alvos. “Já eliminaram uma série de radares na região, o que atrapalha os alertas para a população civil em Israel. Já se fala que não se escutam mais as sirenes.”
Prestes também analisa a escalada israelense contra o Líbano, com bombardeios de larga escala em Beirute e no Vale do Bekaa, sob a justificativa de atingir membros do Hezbollah. “A forma como estão fazendo com o Líbano é completamente indiscriminada. No início, havia até avisos, mas isso rapidamente se desfez. Israel não respeita nada, nenhum acordo de cessar-fogo, nenhuma mesa de negociação.”
A analista traça um paralelo com Gaza, mas ressalta a especificidade do genocídio em curso. “Gaza tem um requinte de crueldade, um massacre que continua, com mulheres e crianças sendo assassinadas todos os dias. Mas o padrão de desrespeito às normas internacionais é o mesmo.”
Para ouvir e assistir
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