Resumo objetivo:
A foto de Mikaeil Mirdoraghi, um menino iraniano que acenou para a mãe antes de ir à escola, tornou-se um símbolo das vítimas infantis de um ataque aéreo que destruiu uma escola primária em Minab, no sul do Irã, em 28 de fevereiro. O ataque, que matou pelo menos 174 pessoas (a maioria crianças), é atribuído a um míssil de cruzeiro Tomahawk norte-americano, conforme investigações do Pentágono e do The New York Times. A comunidade internacional condenou o massacre, e a ONU abriu uma investigação independente sobre o caso.
Principais tópicos abordados:
1. O simbolismo da foto do menino Mikaeil como representação das crianças mortas no ataque.
2. A responsabilidade atribuída aos Estados Unidos (e a Israel) pelo bombardeio à escola.
3. As investigações em curso (Pentágono, ONU e imprensa) que corroboram o uso de míssil norte-americano.
4. A repercussão internacional e a negativa inicial do governo dos EUA em assumir a autoria.
Foto de menino acenando para mãe antes de morrer em ataque a escola vira símbolo no Irã
Mikaeil Mirdoraghi pediu para ser fotografado antes de ir para aula; mãe culpa EUA: 'eles só queriam matar nossos filhos'
O registro de um menino de mochila nas costas, acenando para a câmera, tem se destacado nas redes sociais e virou símbolo das crianças mortas como “mártires” na guerra contra o Irã. Trata-se do jovem iraniano Mikaeil Mirdoraghi, um aluno do terceiro ano que estava se despedindo de sua mãe antes de ir para o colégio que, pouco depois, seria bombardeado pelos Estados Unidos e Israel no contexto da campanha militar contra a nação persa.
Além dele, pelo menos outras mais de 174 pessoas, entre colegas e funcionários, acabaram mortas no ataque criminoso de 28 de fevereiro. De acordo com o jornal norte-americano The New York Times, as vítimas, em sua maioria, foram crianças. O massacre na escola primária em Minab, sul do Irã, foi condenado pela comunidade internacional, e as Nações Unidas (ONU) decidiram pela abertura de uma investigação independente sobre o assunto.
Segundo o jornal iraniano Hamshahri na terça-feira (10/03), veículo ao qual a mãe de Mirdoraghi concedeu entrevista, o menino teria, justamente naquele dia, pedido para ser fotografado antes de ir para a aula.
“[Na noite anterior] Eu tinha preparado o jantar para ele e, enquanto comia, ele disse: ‘Mãe, a comida que você fez tem gosto de paraíso.’ Eu disse: ‘Meu filho, por que você está dizendo isso? Você nunca disse isso antes”, contou.
Também relatou que o menino brincou simulando uma guerra com o irmão antes de dormir.
“À meia-noite, ele veio, colocou os travesseiros ao redor dele, sentou com o irmão e disse: ‘Vem, eu sou o Irã, irmão, você é os Estados Unidos. Vamos brincar com armas e tanques’”, afirmou. No fim, ele comemorou dizendo que “o Irã venceu”.
“‘Viu, o Irã venceu? Irmão, o Irã venceu. Eu era o Irã e venci’”, reproduziu as palavras ditas naquela noite por Mirdoraghi.
De acordo com a mãe, foram “os Estados Unidos, insensíveis, que lançaram um míssil contra essa escola onde não havia nada suspeito. Eles só queriam matar nossos filhos”.
Mikaeil Mirdoraghi estava na escola no momento em que o ataque aéreo atingiu as proximidades do prédio. O NYT apurou as imagens divulgadas pela agência local Mehr, e revelou que o dispositivo usado se tratou da categoria de mísseis de cruzeiro Tomahawk, de fabricação norte-americana. Segundo o jornal, que apontou ter reunido uma série de evidências, incluindo imagens de satélite e relatos locais, tudo indicaria que a escola em Minab foi atingida por um ataque de precisão.
Uma investigação militar preliminar conduzida pelo Pentágono recentemente também concluiu que um míssil norte-americano foi responsável pelo incidente. Segundo a apuração, a ausência de verificação de dados, que estariam desatualizados, teria resultado no lançamento do míssil Tomahawk perto do instituto.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não comentou de imediato sobre o assunto. Seu pronunciamento mais recente envolvendo o caso foi na segunda-feira (08/03), quando ele voltou a negar as evidências da imprensa e repetiu as falas de seu secretário de Defesa, Pete Hegseth, apenas dizendo que o caso estava “sob investigação”.
“Mas não somos os únicos que usam aquele foguete”, afirmou, em referência à informação dada pelo NYT de que somente o exército norte-americano estaria usando a classe de mísseis Tomahawk na campanha militar contra o país persa.