O artigo denuncia uma série de irregularidades e escândalos envolvendo o Banco Master, autoridades públicas e um suposto esquema de corrupção. Os principais tópicos abordados são: o contrato milionário e questionável com a família da advogada Viviane Barci (esposa do ministro Alexandre de Moraes); a participação de diversas autoridades em eventos luxuosos bancados com recursos do banco, como uma degustação de uísque em Londres; e a acusação de prevaricação por parte de órgãos como a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República, que estariam obstruindo as investigações. O núcleo do caso é a relação promíscua entre o banqueiro Daniel Vorcaro e uma extensa rede de figuras poderosas dos Três Poderes.
Reveladas fraudes bilionárias em fundos de pensão, orgias com garotas de programa estrangeiras e contratação de um sicário, a situação do Banco Master ganhou ares de escárnio.
Talvez alguns homens consigam escapar de serem expostos por seus envolvimentos com o banqueiro. Todavia isso parece improvável, sobretudo no caso de autoridades que ocupam chefias de instituições e que se esbaldaram em eventos grotescos que vêm sendo revelados dia após dia.
Somente nesta última semana chamou atenção a tentativa de explicação sobre os serviços advocatÃcios supostamente prestados pela advogada Viviane Barci e seus filhos ao Banco Master.
Foram três meses de silêncio desde que a jornalista Malu Gaspar revelou o contrato de R$ 129 milhões. Foi o "escândalo original" do Master âaquilo que chamou todas as atenções desde o princÃpioâ, pois Viviane e os filhos do casal formam uma famÃlia com o ministro Alexandre de Moraes, o Xandão. Além do valor faraônico estipulado, a prestação de serviço não consegue ser demonstrada à altura da quantia multimilionária.
Nesta semana, a coluna de Mônica Bergamo publicou nota do escritório, instado a vir a público depois de muita pressão. Barci listou dezenas de reuniões na sede do banco, pareceres internos e um abstrato serviço de "compliance" âque, à luz do caso Master, revelou-se um fiasco retumbante.
Mais que falho, o serviço de compliance é questionável. Como trouxe Lauro Jardim em sua coluna, o plano de compliance apresenta potencial plágio e uso de IA acima de 70%. Trata-se de mais um "caso isolado" da meritocracia à brasileira que vigora neste paÃs do patrimonialismo desde sempre. E é cada vez mais concreta a hipótese de que o serviço jurÃdico tenha sido de fachada.
Vale lembrar que o arquivamento relâmpago da investigação sobre a natureza do contrato por Paulo Gonet, procurador-geral da República âa quem caberia apurar os fatos em nome da sociedadeâ, foi na contramão de suas atribuições. Seria, em si, inexplicável. Contudo, a reportada amizade de longa data entre ele e o ministro ajuda a entender o porquê de o flagrante ter ido para sua gaveta.
Nas redes sociais, o público polarizado se digladia sobre uma premissa falsa. Em qualquer notÃcia, alguém logo afirma, "o Master é da direita!", enquanto outra pessoa responde, "é da esquerda!". Ambos listam polÃticos implicados e, por essa linha de raciocÃnio, ambos acabam corretos. Contudo, a falsidade da premissa é a seguinte: o que os une não são suas convicções polÃticas ou religiosas, mas o fato de serem homens.
Em reportagem desta semana, o portal Poder360 revelou uma das tantas festas promovidas por Daniel Vorcaro para autoridades, pagas com dinheiro de aposentados. Foram incrÃveis R$ 3 milhões por duas horas de degustação de uÃsque em um "clube de cavalheiros" em Londres.
Entre os presentes estariam os ministros Alexandre de Moraes e seu amigo Gonet, além do diretor-geral da PolÃcia Federal, Andrei Rodrigues, o ministro Dias Toffoli, o presidente da Câmara, Hugo Motta, o então ministro da Justiça Ricardo Lewandowski (cujo escritório da famÃlia também advogava para o banco), o ministro do STJ Benedito Gonçalves, além do banqueiro corruptor e de seu advogado, entre outros convidados.
A legislação brasileira criminaliza a conduta de quem aceita vantagem indevida oferecida em razão da função pública exercida. Além dos R$ 3 milhões investidos e usufruÃdos em uÃsque e "entretenimento" (precisamos saber se havia garotas de programa no clube, hipótese incômoda pela ausência reportada de autoridades mulheres na esbórnia), cada um levou para casa uma garrafa de uÃsque de presente.
Há algumas semanas venho escrevendo sobre a prevaricação da PolÃcia Federal em não investigar as condições materiais de garotas de programa estrangeiras em orgias promovidas pelo banqueiro e autoridades no Brasil. Hoje, vendo a presença revelada do chefe da instituição na "degustação", entendo as razões da omissão e negligência.
Compreender a omissão, contudo, não significa aceitá-la. Estive em Amsterdã a convite da prefeita Femke Halsema para um evento relacionado ao 8 de Março. Dividi um painel com a advogada ucraniana Oleksandra Matviichuk, vencedora do Prêmio Nobel da Paz em 2022.
Além de denunciar o caso Master em minha fala, entreguei a ela um relatório com um resumo da situação, destacando a omissão das autoridades brasileiras na averiguação de potenciais crimes de tráfico humano para exploração sexual de mulheres vindas de paÃses em situação de guerra.
Recebi de Oleksandra o apoio necessário para internacionalizar as investigações, visto que já não há como confiar nas instituições brasileiras responsáveis por apurar, acusar e julgar o episódio.