Resumo objetivo:
O PSD alega que a prisão do vereador Salvino Oliveira (PSD-RJ) representa um uso político da Polícia Civil do Rio e planeja recorrer a várias instituições, como o STF e a PGR, para denunciar o caso. O partido sustenta que a investigação, baseada em uma única mensagem de terceiro sem resposta, é frágil e equipara a ação policial a uma instrumentalização partidária. Em resposta, a Polícia Civil defende a legalidade da operação, afirmando que foi técnica e também prendeu policiais militares, sem viés político.
Principais tópicos abordados:
1. A acusação do PSD de uso político da Polícia Civil contra o vereador.
2. A defesa da corporação sobre a legalidade e base técnica da investigação.
3. A intenção do partido de acionar instâncias superiores (STF, STJ, PGR, PF) contra a suposta instrumentalização.
4. Os detalhes da prova usada na prisão (uma mensagem) e a contestação sobre sua suficiência.
O PSD quer recorrer ao ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), à PolÃcia Federal, à PGR (Procuradoria-Geral da República) e ao STJ (Superior Tribunal de Justiça) para apontar o que considera um uso polÃtico da PolÃcia Civil do Rio de Janeiro na investigação contra o vereador Salvino Oliveira (PSD), preso sob suspeita de elo com o Comando Vermelho.
O deputado federal Pedro Paulo, presidente do PSD-RJ, afirmou que pretende ir "à s últimas consequências" contra o que chamou de "transformação da PolÃcia Civil numa Gestapo", em referência à polÃcia polÃtica do regime nazista.
"Ele foi preso com base em uma mensagem de um terceiro que não recebeu nenhuma resposta", disse o deputado.
Em nota, a PolÃcia Civil afirmou que a investigação "foi conduzida com rigor técnico e seriedade e não possui lado polÃtico".
"Prova disso é que a operação cortou na própria carne do Estado, com a prisão de seis policiais militares, incluindo dois oficiais. A PolÃcia Civil não escolhe alvo por posição polÃtica, por grupo ou por conveniência. Durante uma investigação, caso apareçam provas de crime, a polÃcia faz o que a lei manda: investiga, pede a prisão à justiça e captura. Por todos esses fatos, a operação que resultou na prisão do vereador foi legal e legÃtima, baseada em provas técnicas", afirma a corporação, em nota.
A audiência com Moraes tem como objetivo apontar supostos vÃnculos da apuração com o inquérito conduzido pela PF, sob supervisão do ministro, sobre a infiltração do crime organizado em instituições públicas. Pedro Paulo vê relação entre o caso e a investigação contra o ex-deputado TH Joias, ligado ao Comando Vermelho.
O STJ e a PGR serão acionados com uma representação criminal para apurar o suposto uso polÃtico da PolÃcia Civil contra opositores do governador Cláudio Castro.
"Não vamos deixar que eles criminalizem a polÃtica. Não vamos permitir a instrumentalização da polÃcia, de forma parecida com o que fez o juiz Marcelo Bretas, em 2018", disse o deputado.
Pedro Paulo faz referência à atuação de Bretas, que marcou um depoimento de um ex-secretário do prefeito Eduardo Paes (PSD) às vésperas da eleição de 2018 ao governo estadual, na qual Wilson Witzel foi eleito governador e Castro, vice. O magistrado foi punido pelo CNJ (Conselho Nacional de Justiça) pela prática.
Salvino foi preso sob suspeita de ter se vinculado com o Comando Vermelho para atuar politicamente na favela Gardênia Azul, na zona sudoeste da cidade.
A base para a prisão é uma única mensagem enviada, segundo o relatório, por Elder Landim, o "Dom", apontado como administrador do Comando Vermelho em Gardênia Azul, para Edgar Alves de Andrade, o Doca, um dos principais lÃderes da facção. Ela diz o seguinte: "Chefe, acabou de me ligar o Landerson, sobrinho da Tia Márcia, falando que o Pé e você autorizaram o Salvino a trabalhar e que é pra eu dar suporte e ajudar nos projetos deles. Procede?"
O relatório da polÃcia que solicitou a prisão temporária não aponta outras provas para indicar que o "Salvino" mencionado na mensagem considerada suspeita é o vereador. A partir do nome, o documento afirma que o vereador teve como slogan de campanha "vereança das favelas do Rio" e o destacou ser "cria da Cidade de Deus", o vinculando ao diálogo entre dois integrantes do CV.