A NASA concluiu com sucesso a revisão de prontidão para voo da missão Artemis 2, autorizando o prosseguimento dos preparativos para um lançamento que pode ocorrer a partir de 1º de abril. A missão, que levará quatro astronautas em um voo de retorno livre ao redor da Lua, enfrentou atrasos devido a problemas técnicos com vazamentos no foguete SLS, agora resolvidos. Os principais tópicos abordados são: a aprovação para o lançamento e o novo cronograma, os desafios técnicos superados, os detalhes da trajetória da missão e o perfil histórico de sua tripulação.
A Nasa concluiu nesta quinta-feira (12) o processo de revisão que antecede o lançamento da missão Artemis 2, dando luz verde para que os procedimentos sigam adiante, mirando um lançamento no começo da próxima janela, em 1º de abril. Será a primeira viagem de humanos aos arredores da Lua desde a Apollo 17, em 1972.
"Acabamos de terminar, duas horas atrás, nossa revisão de prontidão para voo", disse Lori Glaze, administradora associada interina do diretório dos sistemas de exploração da agência, em entrevista coletiva. "A tripulação se juntou a nós virtualmente de Houston, isso realmente reforçou discussões abertas, e todas as equipes sinalizaram 'go' [sinal verde] para a missão."
A missão originalmente estava sendo trabalhada para decolagem em fevereiro. Porém, problemas com vazamentos de propelente no SLS durante um ensaio molhado (em que o foguete é abastecido, simulando a fase final da contagem regressiva), seguidos por um vazamento de hélio (usado para manter a pressurização dos tanques do segundo estágio), obrigaram o retorno do lançador ao VAB (prédio responsável pela integração do foguete e da cápsula para voo) e eliminaram qualquer chance de lançamento em março.
Com o fim da revisão, e os problemas resolvidos, o plano agora é fazer o deslocamento do foguete de volta à plataforma 39B, no Centro Espacial Kennedy, em Cabo Canaveral, na próxima quinta (19) e então iniciar as preparações para um lançamento que pode acontecer já no dia 1º de abril.
A janela terá seis dias, e tentativas podem ser realizadas em qualquer um desses dias. Se não for possÃvel lançar até lá, será preciso esperar até a próxima janela, que se abre em 30 de abril.
Chances de sucesso
John Honeycott, lÃder da equipe de gerenciamento da Artemis 2, não quis apresentar um número para as chances de sucesso total da missão. Ele mencionou que certamente haverá surpresas e desafios, e lembrou que, na média histórica, missões lunares de forma geral têm uma taxa de sucesso de 50%.
"Não quero que vocês saiam daqui achando que a chance é um em dois, acho que estamos numa posição muito melhor que essa", disse. "O que eu realmente quero acertar é a interface de entrada [trajetória para o retorno à Terra] e trazer a tripulação de volta."
A missão Artemis 2 levará quatro astronautas em uma viagem às imediações da Lua e de volta, em um voo de aproximadamente dez dias, em uma trajetória de voo livre. Isso significa que a cápsula Orion não entrará em órbita lunar, apenas contornará a Lua, com a trajetória moldada pela gravidade do satélite natural, e então retornará naturalmente à Terra, trazida pela gravidade terrestre. Ainda assim, será preciso realizar a reentrada de forma precisa, em razão de problemas identificados com o escudo térmico da nave, que a protege do calor do violento encontro com a atmosfera da Terra, observados durante a missão Artemis 1, sem tripulação, em 2022.
De acordo com os participantes da entrevista coletiva, a tripulação, formada por Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen, está animada e pronta para voar. Eles seguem em quarentena no Centro Espacial Johnson, em Houston.
A histórica missão, a primeira a deixar a órbita terrestre em mais de 50 anos, terá o primeiro negro (Glover), a primeira mulher (Koch) e o primeiro cidadão não americano (o canadense Hansen) a fazer uma viagem deste tipo.
Um barulho alto
Os gerentes do programa também foram questionados sobre um barulho alto ouvido no VAB que causou uma evacuação do prédio. A causa ainda não foi identificada, mas eles seguiram os protocolos de provável incêndio, confirmaram que não era o caso e voltaram ao trabalho.
Os planos para o lançamento, portanto, continuam nos trilhos. Mas nada impede que outros imprevistos possam entrar no caminho até o lançamento âaparentemente não há previsão para a realização de um novo ensaio molhado após o transporte do foguete SLS e da cápsula Orion para a plataforma.
"Espero que a próxima vez que enchamos totalmente os tanques seja para voar", disse Lori Glaze.