A pesquisa Datafolha revela níveis recordes de desconfiança popular no STF, impulsionada por escândalos como o do Banco Master, benefícios milionários aos magistrados e a percepção de relações promíscuas com o poder político e econômico. A insatisfação, que já partia do eleitorado bolsonarista, agora atinge também o centro do espectro político, fragilizando a corte. Essa perda de credibilidade pode levar a ataques políticos mais efetivos no futuro, especialmente se houver avanço bolsonarista nas eleições, ameaçando a independência do Judiciário e a estabilidade democrática.
Principais tópicos abordados:
1. Crise de credibilidade e recorde de desaprovação do STF e do Judiciário.
2. Causas da erosão da imagem (escândalos, "penduricalhos", proximidade com empresários).
3. Expansão do descontentamento do eleitorado bolsonarista para o centro político.
4. Risco de ataques políticos futuros e ameaça à independência do STF, vinculado ao cenário eleitoral.
A crise em que se enfiou o Supremo Tribunal Federal ficou muito nÃtida na pesquisa Datafolha divulgada nesta semana que mostrou nÃveis recordes de desaprovação popular à corte e ao Judiciário.
O Ãndice dos que não confiam no STF chegou a 43%, maior taxa desde que esse levantamento começou a ser feito, em 2012. Já os que confiam muito na corte são apenas 16%.
Não é nenhum mistério o motivo para isso. A sucessão de crises ligando ministros ao escândalo do Banco Master erodiu a credibilidade do Judiciário em geral, e do Supremo em particular.
Também afetam a imagem da instituição os penduricalhos milionários pagos por tribunais em todo o Brasil e as relações promÃscuas de ministros com empresários e polÃticos em eventos internacionais como o famoso Gilmarpalooza.
Além disso, o eleitorado bolsonarista há muito já não simpatiza com a instituição, desde que o Judiciário tomou para si o papel de defensor da democracia contra as ameaças de golpe.
Agora, ao que tudo indica, mesmo o segmento mais de centro da população se tornou um crÃtico dos juÃzes.
Para o Supremo tudo isso é muito preocupante. Nesse momento, ataques mais coordenados à instituição, como pedidos de impeachment de ministros, não têm força para prosperar.
Mas isso pode mudar em breve, especialmente se o resultado das eleições foram favoráveis ao bolsonarismo.
Os aliados do ex-presidente colocaram como prioridade absoluta aumentar o número de senadores, que são os responsáveis por julgar afastamento de ministros. à muito provável que a bancada de direita aumente no ano que vem.
Isso tende a se intensificar, claro, se o senador Flávio Bolsonaro for eleito presidente. Nesses casos, podemos esperar uma nova ofensiva contra os chamados excessos do STF.
Durante o governo Bolsonaro, isso já aconteceu, mas a corte tinha força polÃtica e o apoio da opinião pública para resistir a esses ataques. Mas se continuar fragilizada, como está hoje, é difÃcil que consiga reagir e preservar sua independência.
Ou o STF toma atitudes rápidas para melhorar sua imagem, ou sofrerá uma campanha nos próximos meses que pode ser danosa para o Judiciário e para a democracia brasileira de forma geral.