Resumo objetivo:
A Fundação Ecarta retoma sua programação musical em 2026 com o concerto "Casa", apresentado pelas musicistas Simone e Madalena Rasslan. O espetáculo, de entrada franca e com transmissão ao vivo, propõe uma reflexão sobre memória, afetos e pertencimento por meio de um repertório que mescla música brasileira clássica e contemporânea. A obra dialoga com conceitos do filósofo Gaston Bachelard e ganha relevância no contexto pós-enchentes no Rio Grande do Sul, discutindo a casa como espaço físico e simbólico.
Principais tópicos abordados:
1. Retomada da programação musical da Fundação Ecarta em 2026.
2. Conceito e proposta artística do espetáculo "Casa", baseado em memória e afetos.
3. Repertório que une clássicos da música brasileira e canções de tradição oral.
4. Contextualização social do tema, incluindo as enchentes de 2024 no RS.
5. Trajetória das artistas Simone e Madalena Rasslan.
A retomada da programação musical da Fundação Ecarta em 2026, em Porto Alegre, será marcada por um espetáculo que convida o público a refletir sobre memória, afetos e pertencimento. No sábado (14), às 18h, o projeto Ecarta Musical apresenta o concerto Casa, criação das musicistas Simone Rasslan e Madalena Rasslan. Com entrada franca e transmissão ao vivo, a apresentação propõe uma experiência intimista que atravessa repertórios da música brasileira e memórias pessoais para discutir o significado de lar.
O espetáculo reúne mãe e filha no palco em uma construção sonora que combina voz, piano, metalofone e cuatro venezuelano. A proposta musical parte de experiências íntimas das artistas, mas busca dialogar com uma dimensão coletiva do tema. A reflexão sobre a casa surge tanto como espaço físico quanto como território simbólico e emocional.
A ideia que inspira o concerto dialoga com o pensamento do filósofo francês Gaston Bachelard, que associou as lembranças de casas e quartos às formas como os indivíduos constroem sua própria interioridade. A partir dessa perspectiva, o espetáculo busca provocar uma escuta sensível sobre o modo como as pessoas constroem vínculos com espaços e memórias.
Um repertório que atravessa gerações
A seleção musical do espetáculo reúne obras que abordam diferentes sentidos de habitar e pertencer. O repertório costura clássicos da música brasileira com composições contemporâneas e canções de tradição oral, formando um mosaico de referências culturais.
Entre as músicas interpretadas estão A Casa, de Toquinho e Vinícius de Moraes, No Rancho Fundo, de Ary Barroso e Lamartine Babo, Debaixo dos Caracóis dos Seus Cabelos, de Roberto Carlos, e Credo, de Milton Nascimento e Fernando Brant. As canções dialogam com outras peças que ampliam a discussão sobre identidade, memória e território na cultura brasileira.
A proposta musical se apoia em uma atmosfera intimista. Simone Rasslan assume o piano e a voz, enquanto Madalena Rasslan interpreta canções e executa instrumentos como o metalofone e o cuatro venezuelano. O resultado é uma tessitura sonora construída a partir da interação entre diferentes timbres e gerações.
O espetáculo estreou em setembro de 2023 na Sala Álvaro Moreyra, em Porto Alegre, e desde então circulou por espaços culturais da capital gaúcha, como o Teatro Glênio Peres, o Galpão Floresta Cultural e o Teatro Olga Reverbel. Em cada apresentação, segundo a produção do espetáculo, o público é convidado a refletir sobre a dimensão afetiva do conceito de casa.
A casa como tema contemporâneo
A escolha do tema também dialoga com experiências recentes vividas pela sociedade brasileira. Para as artistas, o espetáculo foi pensado à luz de períodos de isolamento social e de crises que alteraram a relação das pessoas com o espaço doméstico.
No Rio Grande do Sul, a discussão ganha novos contornos após as enchentes que atingiram diversas cidades do estado em 2024, quando milhares de famílias perderam suas casas ou tiveram seus espaços profundamente afetados. A reconstrução física e simbólica de lares tornou-se um tema recorrente em debates sociais, culturais e políticos.
Nesse contexto, o espetáculo busca ampliar o debate sobre o significado de abrigo e pertencimento. A proposta artística, segundo a concepção do concerto, é provocar no público uma escuta que articule memória individual e experiência coletiva.
Trajetórias na música e nas artes cênicas
As duas artistas que conduzem o espetáculo têm trajetórias consolidadas na cena cultural de Porto Alegre. Simone Rasslan é doutora em Educação, graduada em Regência Coral e atua como compositora, pianista e preparadora musical para teatro. Ao longo de sua carreira recebeu cinco Prêmios Açorianos de Música e cinco Prêmios Açorianos de Teatro, distinções concedidas pela prefeitura de Porto Alegre para reconhecer produções artísticas da cidade.
A musicista também integra o espetáculo A Sbørnia Kontratracka, ao lado do artista Hique Gomez, produção que revisita o universo da conhecida saga humorística e musical criada pelo grupo Tangos & Tragédias.
Madalena Rasslan é bacharel em Música Popular e mestre em Artes Cênicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Cantora e educadora, desenvolve projetos de formação musical e coordenação de grupos vocais, além de participar de produções artísticas na capital gaúcha.
A parceria entre as duas artistas, além do vínculo familiar, se desenvolve na intersecção entre música e teatro, área em que ambas têm atuação significativa.
Ecarta Musical e a programação cultural
O espetáculo Casa marca a retomada da agenda anual do Ecarta Musical, projeto da Fundação Ecarta que promove concertos e atividades formativas voltadas à música. A iniciativa busca aproximar artistas e público por meio de apresentações gratuitas e transmissões online.
De acordo com a organização do projeto, a programação de 2026 inclui concertos, recitais e atividades pedagógicas ao longo dos próximos meses. Entre os eventos previstos estão uma masterclass com o compositor Antônio Villeroy, apresentações do recital Liame, com Tina Oliveira e Léo Ferlauto, o show Uma voz do samba no Sul, da cantora Pâmela Amaro, e a cantata Sete Povos, com Raul Ellwanger e Tiago Colombo.
A Fundação Ecarta também mantém iniciativas sociais vinculadas às atividades culturais. Durante o evento de sábado, o público poderá contribuir com a doação voluntária de um quilo de arroz parboilizado para a Cozinha Solidária Ecarta, projeto que realiza ações de apoio alimentar.
A apresentação acontece presencialmente na sede da fundação e será transmitida ao vivo pelo canal da instituição no Youtube, ampliando o acesso do público à programação cultural.