A Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão contra um blogueiro do Maranhão, determinados pelo ministro do STF Alexandre de Moraes, por suspeita de crimes como perseguição e possível uso de ferramentas estatais para monitorar e divulgar informações sobre o uso de um veículo oficial pelo ministro Flávio Dino. A ação, vinculada ao inquérito das fake news, foi criticada por associações de imprensa e pela OAB-MA, que alegam violação da liberdade de imprensa e do sigilo da fonte. O caso tramita sob sigilo no Supremo Tribunal Federal.
Principais tópicos abordados:
1. Ação judicial da PF contra um blogueiro por suspeita de crimes.
2. Contexto do inquérito das fake news e a atuação do STF.
3. Críticas de entidades de mídia e da OAB sobre suposta violação à liberdade de imprensa.
4. A defesa do blogueiro, que se identifica como jornalista, e o sigilo processual.
A PolÃcia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão, sob determinação do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes, contra um blogueiro do Maranhão que fez publicações sobre o uso de um veÃculo funcional pelo ministro Flávio Dino.
Os mandados foram cumpridos na terça-feira (10), com busca e apreensão de celulares e computadores de LuÃs Pablo Conceição Almeida, do Blog do LuÃs Pablo. A informação foi publicada inicialmente pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmada pela Folha.
O inquérito foi aberto por Dino e distribuÃdo a Moraes por relação com o inquérito das fake news, aberto em 2019 para investigar ataques ao Supremo de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
LuÃs Pablo publicou, em novembro passado, um texto afirmando que um carro bancado pelo Tribunal de Justiça do Maranhão era usado por Dino e sua famÃlia no Maranhão.
O texto dizia que o ministro e seus familiares usavam um veÃculo que seria destinado ao uso oficial de desembargadores do TJ-MA em deslocamentos privados. Procurado por meio da sua assessoria, Dino não se manifestou.
Na decisão de Moraes, que está sob sigilo, o ministro diz que a PF apontou que o blogueiro é suspeito de crime de perseguição e se valeu "de algum mecanismo estatal para a identificação e caracterização dos veÃculos empregados, que permitiram a exposição indevida relacionada à segurança das autoridades".
"A PolÃcia Federal informou ainda que no dia 26.nov.2025, o mesmo blog realizou outra publicação na qual divulgou imagens do veÃculo, indicando efetiva vigilância, monitoramento e acompanhamento, além de apontar possÃvel acesso a informações restritas, com utilização de ferramentas institucionais, mediante participação de outros indivÃduos na ação", diz Moraes.
O ministro determinou à PF que também tomasse o depoimento do blogueiro e de "outros agentes com os quais os investigados tenham interagido mediante incitação e/ou cooptação para a prática dos crimes em apuração".
Também ordenou a análise do material eletrônico apreendido.
Na decisão, Moraes transcreve um trecho de representação da PF que diz que LuÃs Pablo "já foi alvo de investigações nas quais apontam como suspeito de praticar extorsão para não divulgar informações sobre operações policiais".
Procurado, LuÃs Pablo disse à reportagem nesta quinta (12) que não pode dar entrevistas sobre o tema.
Em seu blog, ele disse que teve "apreendidos equipamentos de trabalho utilizados na atividade jornalÃstica, como computador e aparelhos celulares".
"O processo tramita sob sigilo no Supremo, razão pela qual, neste momento, não é possÃvel comentar detalhes da investigação. O jornalista esclarece que ainda aguarda acesso integral aos autos para compreender plenamente os fundamentos da decisão."
Nota conjunta da ANJ (Associação Nacional de Jornais), Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão) e Aner (Associação Nacional de Editoras de Revistas) criticou a medida do ministro do STF nesta quinta. As entidades disseram que a ordem viola a liberdade de imprensa.
"A atividade jornalÃstica, independentemente do veÃculo e de sua linha editorial, conta com a proteção constitucional do sigilo da fonte. Qualquer medida que eventualmente viole tal garantia deve ser entendida como um ataque ao livre exercÃcio do jornalismo."
A OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) do Maranhão afirmou que a ação ordenada pelo Supremo causa "preocupação institucional". Em comunicado assinado pela Comissão de Liberdade de Expressão e Imprensa, o órgão menciona também a "preservação de sigilo de fonte e de proteção ao livre exercÃcio profissional da atividade".
"Segundo a jurisprudência do próprio Supremo, medidas de buscas e apreensão devem ser efetivadas com cautela e nos limites estritos à investigação eventualmente em curso", diz a instituição.
Colaborou João Pedro Adbo, de São Paulo